quinta-feira, dezembro 02, 2004

Drogas, nem morto!

Depoimento emocionado de Luiz Fernando Veríssimo sobre sua experiência com as drogas...

“Tudo começou quando eu tinha uns 14 anos e um amigo chegou com aquele papo de "experimenta, depois quando você quiser é só parar..." e eu fui na dele. Primeiro ele me ofereceu coisa leve, disse que era de "raiz", da terra, que não fazia mal, e me deu um inofensivo disco do Chitãozinho e Xororó e em seguida um do Leandro e Leonardo. Achei legal, uma coisa bem brasileira; Mas a parada foi ficando mais pesada, o consumo cada vez mais freqüente, começei a chamar todo mundo de "amigo" e acabei comprando pela primeira vez. Lembro que cheguei na loja e pedi: - Me dá um CD do Zezé de Camargo e Luciano. Era o princípio de tudo!

Logo resolvi experimentar algo diferente e ele me ofereceu um CD de Axé. Ele dizia que era para relaxar; sabe, coisa leve... Banda Eva, Cheiro de Amor, Netinho, etc. Com o tempo, meu amigo foi me oferecendo coisas piores: é o Tchan, Companhia do Pagode e muito mais. Após o uso contínuo, eu já não queria saber de coisas leves, eu queria algo mais pesado, mais desafiador, que me fizesse mexer os quadris como eu nunca havia mexido antes. Então, meu amigo me deu o que eu queria, um CD do Harmonia do Samba. Minha bunda passou a ser o centro da minha vida, razão do meu existir. Pensava só nessa parte do corpo, respirava por ela, vivia por ela! Mas, depois de muito tempo de consumo, a droga perde efeito, e você começa a querer cada vez mais, mais, mais... Comecei a freqüentar o submundo e correr atrás das paradas.

Foi a partir daí que começou a minha decadência. Fui ao show e ao encontro dos grupos Karametade e Só Pra Contrariar, e até comprei a Caras que tinha o Rodriguinho na capa. Quando dei por mim, já estava com o cabelo pintado de loiro, minha mão tinha crescido muito em função do pandeiro. Meus polegares já não se mexiam por eu passar o tempo todo fazendo sinais de positivo. Não deu outra: entrei para um grupo de pagode. Enquanto vários outros viciados cantavam uma música que não dizia nada, eu e mais outros 12 infelizes dançávamos alguns passinhos ensaiados, sorríamos e fazíamos sinais combinados. Lembro-me de um dia quando entrei nas lojas Americanas e pedi a Coletânea "As melhores do Molejo". Foi terrível!! Eu já não pensava mais!!! Meu senso crítico havia sido dissolvido pelas rimas miseráveis e letras pouco arrojadas. Meu cérebro estava travado, não pensava em mais nada. Mas a fase negra ainda estava por vir.

Cheguei ao fundo do poço, ao limiar da condição humana, quando comecei a escutar popozudas, bondes, tigres, MC, Serginho, Lacraias, motinhas e tapinhas. Comecei a ter delírio e a dizer coisas sem sentido. Quando saía à noite para as festas, pedia tapas na cara e fazia gestos obscenos. Fui cercado por outros drogados, usuários das drogas mais estranhas que queriam me mostrar o caminho das pedras... Minha fraqueza era tanta que estive próximo de sucumbir aos radicais e ser dominado pela droga mais poderosa do mercado: Ki-Kokolexo.

Hoje estou internado em uma clínica. Meus verdadeiros amigos fizeram a única coisa que poderiam ter feito por mim. Meu tratamento está sendo muito duro: Doses cavalares de MPB, Bossa-Nova, Rock Progressivo e Blues. Mas o médico falou que eu talvez tenha de recorrer ao Jazz, e até mesmo a Mozart e Bach.

Queria aproveitar a oportunidade e aconselhar as pessoas a não se entregarem a esse tipo de droga. Os traficantes só pensam no dinheiro. Eles não se preocupam com a sua saúde, por isso tapam a visão para as coisas boas e te oferecem drogas. Se você não reagir, vai acabar drogado, alienado, inculto, manobrável, consumível, descartável, distante. Vai perder as referências e definhar mentalmente. Em vez de encher a cabeça com porcaria, pratique esportes e, na dúvida, se não puder distinguir o que é droga ou não, faça o seguinte:

* Não ligue a TV no domingo à tarde;
* Não escute nada que venha de Goiânia;
* Não entre em carros com adesivos "Fui.....";
* Se te oferecerem um CD, procure saber se o indivíduo foi ao programa da Hebe e/ou ao Sabadão do Gugu;
* Mulheres gritando histericamente são outro indício;
* Não compre um CD que tenha mais de 6 pessoas na capa;
* Não vá a shows em que os suspeitos façam passos ensaiados;
* Não compre nenhum CD em que a capa tenha nuvens ao fundo;
* Não compre nenhum CD que tenha vendido mais de um milhão de cópias no Brasil
* Não escute nada em que o autor não consiga uma
concordância verbal mínima.

Mas, principalmente, duvide de tudo e de todos.A vida é bela!!! Eu sei que você consegue!!! Diga não às drogas!!”


Hiauhiauhiauhiau...genial!



domingo, novembro 28, 2004

Luz....camera....ação....(vivendo!)

Minha imaginação é exageradamente fértil. Hj eu fui capaz de acordar e permanecer na cama de olhos fechados para acabar de inventar o meu sonho interrompido pela luz do sol (Sim...porque a cortina está lavando...).E eu fiquei horas bolando a continuação desse sonho. O protagonista dele é alguém com quem não sei se ainda vale a pena sonhar, pois já está longe de mim o suficiente para nunca mais voltar. E o pior é que eu sonhei com o que já aconteceu, ou melhor, sonhei com o que poderia ter acontecido, do jeito que eu queria, onde eu queria....eu reinventei o meu passado. E confesso que não foi a primeira vez que isso acontece. Inúmeras vezes já pensei em situações e diálogos que eu gostaria que tivessem sido reais. Essa minha criatividade tem um preço alto a ser pago. Porque quanto mais eu sonho, mais esse assunto se autoafirma como meu foco e mais eu sofro. Imaginar esse caso de amor como um filme, com direito à cenas de carinho, de declarações, de trocas de olhares, abraços e beijos com um fundo musical, só aguça a minha vontade de viver isso tudo, mesmo que não seja tão perfeito como é nas telas dos cinemas.

Ao mesmo tempo, me sinto muito atriz de Hollywood, quando tenho esses momentos sonhadores e reflexivos. É um tudo de bom tirar alguns minutos do seu dia para sonhar com as coisas do jeitinho que você sempre quis que elas fossem. É bem típico daquele personagem que está no meio do trabalho, de repente olha para a janela e começa a pensar sobre a vida e relembrar do passado até chegar numa decisão séria a ser tomada. Então ele tem aquele impulso, pula da cadeira, vai embora do escritório (claro que ninguém se importa dele sair no meio do expediente...) e finalmente conta à mulher que a traiu, ou que descobriu que a ama, ou ainda resolve pegar o carro e ir atrás da moça que está quase embarcando no avião, para fazer-lhe uma declaração....claro que ele chega a tempo, mesmo tendo saindo 7:01 para o vôo que era 7:00. No nosso mundo não temos tempo pra isso, sabemos que refletir não garante o salário no final do mês, não faz nenhum estudante passar de ano e que no final das contas as coisas não dão tão certo assim. Contudo, de vez em quando é bom nos darmos a esse luxo. Faz bem avaliarmos nossos atos e os dos outros com calma, entender o que se passa, analisar os fatos. Realizar sucessivas ações e achar que isso é viver é pior do que levar a vida como uma eterna gravação. Temos que nos conscientizar, sofrer, amar, pensar, falar, idealizar, programar, realizar.....e principalmente...sentir! Se não sentirmos, de nada valerá o que estamos passando.

E eu ainda não achei uma aplicação útil para essa minha imaginação fértil....

Minha doença

Tenhu uma doença. Ainda não descobri seu nome...Uns chamam de sentimentalismo, dramaticidade, outros de depressão e alguns falam convictamente que é TPM. Discordo das três denominações....mas ainda não tenho a minha. Acho mais importante conhecê-la do que dar-lhe um nome. Então procurei me informar sobre a bendita (ou maldita?!). Descobri sua procedência. Ela é causada por sentimentos e sensações fortes. E talvez médias também. É agravada por umas doses de álcool (após algum tempo de efeito deste) e qualquer tipo de chocolate. Ah sim....algumas vezes uma música é suficiente pra provocá-la. Diria que essa doença é passageira mas não necessariamente ligeira, ou até que é do tipo que se instala definitivamente no organismo mas que se evidencia com a ação dos fatores acima.

O importante é que descobri seu remédio....escrever! Como todo bom medicamento causa efeitos colaterais. Como geralmente os comprimidos são tomados à noite, há algumas madrugadas passadas em claro, como esta. Pode-se desenvolver um interesse maior pela leitura....de futilidades, notícias e até de clássicos. Caso haja divulgação do que se escreve, há chances de surgirem elogios e também críticas...mas diria que o primeiro é mais comum.

Há uma grande probabilidade do doente julgar não saber se medicar da melhor forma, e de descobrir com o tempo. E é exatamente o que eu espero que aconteça comigo. Não sei como nem por onde começar a escrever. Sei que é eficaz na cura dessa "doença". Por isso resolvi criar esse blog. Para ninguém ler. Pelo menos por enquanto, já que ainda estou meio perdida nesse mundo das palavras. Mas para me ajudar, me aliviar e quem sabe até descobrir que escrever é mesmo o meu melhor remédio e prazer. Fato da qual já desconfio que seja verdade.

O ministério da saúde adverte : o uso desse medicamento gera dependência.