sexta-feira, junho 17, 2005

Todo dia ela faz tudo sempre igual...

Não sei o que acontece. Chego, nem largo a bolsa e já aperto o botão pra ligar o Seu Duca. Sento na cadeira sem nem trocar de roupa, ponho a senha no Msn, fecho o ICQ, abro o Word e ao mesmo tempo a internet. 1, 2, 3 e já! Quem abrir primeiro ganha. O Word sempre vence, mas eu acabo roubando para a internet. Nisso o Media Player já toca a trilha sonora do dia...que pode ir de Cazuza até Padre Zeca, passando por Jack Johnson, Jem, Marron 5, Cold Play, Jennifer Lopez e um pouquinho de Moulin Rouge. Depois que eu já consegui entrar no meu fotolog e ler todos os comentários, o bendito Messenger abre. Uma passada de olho pra ver quem está online. O pessoal da PUC abre um chat, com algumas pessoas a conversa se limita às novidades e à falta delas e com outras os papos rolam cada vez mais fluentes. Mais alguns minutos e vamos nós! Checando os e-mails e dali entrando no Orkut (porque sempre tem e-mail do Orkut). Enquanto espero o segundo programa mais lerdo do dia, dou uma olhada no horóscopo. É. Quase todo dia. Mesmo que quase nunca tenha a ver, eu sempre leio com a maior curiosidade do mundo. Deplorável, mas é a verdade...
Passada a euforia inicial, vago por blogs e alterno as respostas do Msn com os comentários em outros fotologs. Isso tudo tentando não cometer nenhuma gafe diante da Web Cam. E ainda tendo que abrir a janelinha que pisca freneticamente pra ler coisas como: “Porque você fez essa cara?!” e não ter a menor idéia de que cara é essa.
E o Word nisso tudo?! Está lá quietinho. Só depois de muito tempo perdida nesse mundo virtual lembro-me dele. Começo uns textos, termino outros, releio poemas e.....claro! O Photoshop! Sempre é o último. Escolho uma entre as 3642813469 mil fotos, uma “iluminação” aqui, um “aguçar” ali e...prontinho! Vamos postar! Dá erro. Normal. Na segunda ou terceira tentativa vai. À essa altura do campeonato, o chat da PUC está bombando, mais de dez pessoas que nem se conhecem ainda teclam sem parar. Como de costume, eu me perco nos assuntos e demoro mais para responder à todas as outras pessoas.

Internet cortada por volta das 11 horas. Mesmo assim me mantenho leal ao Seu Duca e se o sono me faltar até jogo paciência.

No dia seguinte, chego, nem largo a bolsa e já aperto o botão pra ligar o Seu Duca...

segunda-feira, junho 13, 2005

Pro dia nascer feliz

Está tarde. Difícil de escrever. Impossível de dormir. Estou pensando em tantas coisas ao mesmo tempo, que mal consigo identificá-las. Me sinto a pior das escritoras (como se eu fosse uma!) e a mais feliz das pessoas. Tem horas que palavras não bastam. Vou além...elas faltam.

Agora eu podia estar cega, gorda, surda, com uma verruga na ponta do nariz que ia estar sentindo a mesma coisa. Cara...que bom que eu tenho coração! Nunca pensei nisso. Ter coração é tudo! Não só pela função vital, mas por possibilitar toda essa emoção, por disparar, por sentir. Estou sentindo demais...só não sei exatamente o que, mas estou. (lágrimas correm...correm...e correm....). Estou num estado no qual poucas vezes na vida estive. Fico ouvindo a mesma música – The blower’s daughter, Damien Rice, claro! - 599 vezes seguidas, estática, viajando num imenso nada, pisando em nuvens, sem fome, sem sede, com frio, estática.....já mencionei que eu estou estática?! Já, Tati, presta atenção. São 4:57 da manhã e eu aqui que nem um zumbi em frente ao Seu Duca sem escrever nada de muito produtivo. Me afogando em sensações quase desconhecidas. Esperando os primeiros raios solares atravessarem a cortina, pelo simples prazer de ver esse dia nascer.

A causa disso tudo? Hoje, em meio a um período de bonança, bateu uma emoção verdadeira ao lembrar quantas mudanças tem ocorrido nessa onda de “benção sobre benção”. De uns tempos pra cá ganhei “fãs” aleatórios, encantados pela minha desenvoltura verbal, corporal e intelectual. Distraída, eu passei de uma menininha tímida a uma aspirante à “publicitária muito promissora”. Comecei a escrever, e mais, gostar do que eu escrevo. Gostei mais ainda de ler. Ganhei um pouquinho de inteligência emocional. Adquiri um bom nível de conhecimento musical. Fiquei mais amiga. Estive mais presente. Fui mais paciente. Pra completar, comecei a namorar nos primeiros minutos do dia dos namorados e de um jeito que eu sempre sonhei. Mas bateu também uma dorzinha de imaginar que as coisas vão mudar, e talvez muito, daqui a uns meros 60 dias. Minha vida é feita de fases - em grande medida involuntárias - de convivência com grupos de pessoas efêmeros. (Talvez a vida de muita gente seja assim, mas esse é um traço permanente na minha.) O fato é que algumas mudanças implicam em separações. Eis a minha fraqueza. Eu me apaixono facilmente e simplesmente não desapaixono. Esse verbo nem existe no meu vocabulário (se é que ele existe em algum). Porque eu me apego muito e me desapego pouco. Para alguns pode ser difícil esse afastamento nos primeiros dias, mas para mim é difícil “ad eternum”. Por mais que não nos falemos, não esqueço da amiga do colégio, da turma de vôlei, da amiga de Minas, da que mudou pra Londres, da que aparentemente se esqueceu de mim, do primeiro namorado, das crianças da Bahia, e de tantas outras pessoas...Todos são importantes. O passado, para mim, não passa. Ele fica guardado num universo paralelo aqui dentro, com um carinho muito grande por esses que, às vezes sem saber, transformaram minha vida nas pequenas coisas e me construíram como sou (seja isso bom ou ruim). É piegas, mas é verdade. Qualquer forma de amor é piegas.

São 5:42 e eu falando que qualquer forma de amor é piegas. Isso dava uma música. Sério mesmo. Ah....se eu tivesse o dom do Cazuza em transformar tão bem sentimentos e pensamentos em belas letras musicais teríamos uma nova canção à essa hora. Talvez assim tenham surgidos clássicos como “Eu preciso dizer que eu te amo”...


“Quando agente conversa
Contando casos, besteiras
Tanta coisa em comum
Deixando escapar segredos
Eu não sei em que hora dizer
Me dá um medo
Eu preciso dizer que te amo
Te ganhar ou perder sem engano”


Talvez.
6:34
Amanheceu enfim!
Continuo estática.
Depois eu publico isso...Bom-dia!

sábado, junho 11, 2005

A impontualidade do amor

"Você está sozinha. Em frente a tv, devora dois pacotes de Doritos enquanto espera o telefone tocar. Bem que podia ser hoje, bem que podia ser agora, um amor novinho em folha. Trimmm ! É a sua mãe, quem mais poderia ser ? Amor nenhum faz chamadas por telapatia. Amor não atende com hora marcada. Ele pode chegar antes do esperado e encontrar você numa fase galinha, sem disposição para relacionamentos sérios. Ele passa batido e você nem aí. Ou pode chegar tarde demais e encontrar você desiludido da vida, desconfiado, cheio de olheiras. O amor dá meia-volta volver. Por que o amor nunca chega na hora certa ?

Agora, por exemplo, que você está de banho tomado e arrumada. Agora, que você está se achando bonita. Agora, que você está empregada. Agora, que você pintou o apartamento. Agora, que você começou a gostar de jazz. Agora, que você está com o coração às moscas e morrendo de frio.

O amor só aparece quando menos se espera e de onde menos se imagina. Você passa uma festa inteira hipnotizada por alguém que nem lhe enxerga e mal repara em outro alguém que só tem olhos para você. O amor é que nem uma tesourinha de unha, nunca está onde a gente pensa. Seu amor pode estar no corredor de um supermercado, pode estar impaciente na fila de um banco, pode estar pechinchando numa livraria, pode estar cantarolando sozinho dentro de um carro. Ou pode até estar do seu ladinho, só esperando uma chance de te mostrar o valor do amor........o amor está em todos os lugares, você que não procura direito.

A primeira lição está dada: o amor é onipresente. Agora a segunda : ele é imprevisível. Jamais espere ouvir "eu te amo" num jantar à luz de velas, no dia dos namorados. Ou receber flores logo após a primeira transa. O amor odeia clichês. Você vai ouvir "eu te amo" numa terça-feira, às quatro da tarde, depois de uma discussão. As flores vão chegar num dia qualquer apenas para informar-lhe como você é especial para alguém . Assim, sem um motivo ou data especial."

PS: não sei de quem é esse texto, mas se estiver sem dono eu tô adotando...

Desabafo (ufa!)

Às vezes mal acredito que vivo nesse mundo. Esse que se alimenta da conveniência e mata a sede em rios de dinheiro. É, esse mesmo, que respira futilidade e sonha com paraísos fiscais. Mundinho medíocre. E pessoas não muito diferentes. Preguiçosas, egoístas, alienadas. Pessoas cujos valores são superficiais. A aparência vale o desejo, o dinheiro vale o poder e o sentimento e o caráter ficam pra depois...

Os ricos vivem de lavagem de dinheiro, golpes, corrupção, acordos e mais acordos e se mantém impunes. Mas se o Zé roubar um pacote de biscoito no supermercado, está preso sem nem pestanejar! Dá pra acreditar num mundo que funciona assim? Injusto demais, desigual demais.

Isso sem falar nas atrocidades. Homicídios, assaltos, seqüestros e estupros compõem o grupo de pequeno porte. É, pequeno porte. Porque grande mesmo são os genocídios, chacinas e atentados. A violência já é uma constante, mas mesmo assim não consigo digeri-la. Como alguém pode puxar um gatilho e matar outra pessoa? Eu não entendo.

Aliás, há muito nesse mundo que não entendo. É inexplicável a capacidade do ser humano de ser indiferente. Indiferente à necessidade alheia, ao amor alheio, à tudo que lhe for alheio. Essa gente está preocupada mesmo em esbanjar sua grana e seguir a moda. Eis outra coisa que não me entra na cabeça, essa tal de moda. A cada estação homens e mulheres renovam seus guarda-roupas, com novas cores, tecidos, modelos. Pra que mesmo? Mudar? Mas convenhamos que a moda de vez em quando é de péssimo gosto. Quanto à atual mesmo, acho que minha avó se vestia melhor. Mas mesmo que não goste da mudança a gente tem que segui-la? Quer dizer que eu tenho que comprar uma bota horrorosa de camurça rosa-choque com bolinhas verde-água até o joelho porque tá na moda? É isso mesmo? Dai-me paciência...

E olha que paciência é algo em extinção nesse mundo. As pessoas correm o tempo todo, para todos os lugares, fazem tudo ao mesmo tempo. Os seres humanos funcionam na velocidade dos computadores, da internet, dos celulares, da televisão. E pior, estão aplicando o ritmo da tecnologia para seus relacionamentos. Namoros e casamentos são feitos e desfeitos enquanto você vira as páginas da “Tititi”. Na verdade os dias estão mesmo mais curtos (cientificamente comprovado) e conseqüentemente os anos estão passando mais rápido. Talvez isso justifique um pouco a pressa. Mas a falta de paciência não deriva somente da falta de tempo. Quantas vezes a secretária do médico te atendeu muito mal e porcamente, como se estivesse atrasada para algum compromisso importante e não saiu da cadeira? É má vontade mesmo...tem gente ruim, tem gente mal-humorada, gente estressada então é o que mais tem. Todo mundo se julga estressado hoje em dia. É a “doença” da moda (olha ela aí de novo!). Até cachorro sofre de estresse agora! Um mundo onde animal tem esse tipo de problema não pode ser levado à sério.

Ninguém pode ser levado à sério mais. As pessoas fazem juramentos que em pouco tempo são invalidados por simples mudanças de opinião. Todos são inconstantes e insatisfeitos. A vida nunca está boa. São reclamações infinitas e muitas vezes infundadas. O chefe aumentou o salário, mas bem que podia ter sido mais. Eu tenho olhos azuis, mas queria mesmo é que o meu cabelo fosse liso. O Ubaldo me deu flores hoje, mas custava muito dar um cartão junto?! Quando se acrescenta ingratidão então, tudo fica mais difícil.

Mas o difícil mesmo é viver num mundo perigoso onde tudo soa falso, conviver com pessoas tão incrédulas e se manter ileso. Ah, se não fosse o amor para adoçar essa mistura...

sábado, junho 04, 2005

Fernando Pessoa

“ Procuro dizer o que sinto
Sem pensar em que sinto.
Procuro encostar as palavras à idéia
E não precisar no corredor do pensamento.
Nem sempre consigo sentir o que sei que devo sentir.
Procuro despir-me do que aprendi,
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,
Desembrulhar-me e ser eu!
E assim escrevo, ora bem, ora mal,
Caindo aqui, levantando-me ali,
Mas indo sempre no meu caminho como um cego teimoso”

Escrito por Fernando Pessoa e editado por Tati...porque eu não consigo não adaptar seus poemas só para falar que são perfeitos pra mim.

quinta-feira, junho 02, 2005

Gerúndio

Ouvindo: Por onde andei, Nando Reis.
Dormindo: Menos que o suficiente.
Comendo: Balas diet. Chicletes diet. Frutas. Saladas. Além de arroz, feijão, pizza, pipoca, chocolate e tudo o que engorda.
Comprando: Absolutamente nada.
Procurando: Dinheiro.
Lendo: “Na toca dos leões”,“Ator errante”, revistas, fotologs, blogs, placas, legendas, qualquer aglomeração de letras.
Amando: Meus amigos.
Fingindo: Ser saudável.
Ignorando: Futebol, com todas as minhas forças (inclusive o Fla-Flu)
Rindo: Dessa tal de Tati e suas respectivas trapalhadas.
Sentindo: Saudades.............
Chorando: Nem em filmes.
Desejando: Casar, ter dois filhos e um emprego decente (daqui a 6 anos).
Estudando: N-A-D-A
Sonhando: Sempre, sempre e sempre, com qualquer coisa.
Planejando: Viver sem planejar.

Dia dos namorados

Tudo que eu queria nesse dia era ser raptada. Ser levada por alguém que estivesse interessado em ouvir todas as minhas histórias. Que esse alguém me levasse pra bem longe, de preferência pra um lugar onde o celular nem pensasse em pegar. Que nesse lugar estivesse chovendo muito, que fizesse frio e não desse nem pra pensar em sair de lá. Que a dispensa estivesse cheia de coisas gostosas como fondue, chocolate, vinho e coca-cola. Que tivéssemos crises de riso, segredos revelados e olhares trocados. Que tirássemos fotos engraçadas e sonhássemos juntos. Que pudéssemos dançar. Dançar muito. Que existisse só nós dois por um dia.


Será que eu to querendo muito?


Que aconteça, então, o milagre da multiplicação de “Rodrigos Santoros” pra eu namorar um deles até lá...


Caso tudo falhe, quero sair com quem prometer não falar sobre amor ou qualquer coisa fofa. Que os casais apaixonados saiam da frente. E tenho dito.

quarta-feira, junho 01, 2005

Shall we dance?

O que é o Richard Gere nesse filme subindo a escada rolante de terno, com uma rosa vermelha na mão e aquele sorrisinho de “sou todo seu, meu amor” ?!

m e o d e o s

Eu precisaria de dez vidas pra conseguir escrever a respeito disso. Então vou me ater ao fato de que o cara não é bonito. Não, num é. Ele é velho, tem cabelos grisalhos, olhos pequenininhos, não é alto nem forte. Então, qual é o motivo do alvoroço?! É o charme! É a roupa, a situação, o jeito, a voz, o olhar, o sorriso, o conjunto. Richard Gere é charmoso! E o mais difícil: sem ser bonito.

Bonito é o Rodrigo Santoro...alto, forte, morenão. Brad Pitt?! Tá mais para “BREAD” Pitt. Loirinho, lindinho, muito inho. E Thiago Lacerda com seus 1,90m, olhos verdes, sobrancelhas grossas, rosto que mais parece uma pintura...tem como ser melhor?! Contudo, ainda prefiro o Richard Gere, com suas madeixas grisalhas, olhinhos pequenos, sua altura mediana e todo o seu charme de brinde.

Pra começar, essa beleza estonteante chama muita atenção e causa alguns problemas. A capa de “Caras” é Gianechhini, cabelinho arrepiado e lisinho, olhos marcantes, sorriso perfeito, com a camisa meio aberta, tendo como cenário uma praia paradisíaca acompanhado pela frase em letras garrafais: “NÃO ME ACHO BONITO”. Tá de sacanagem...ou ele não tem espelho, ou usou uma falsa modéstia, ou ainda, quis dizer que todas as outras pessoas sofrem de feiúra aguda, porque se ele não é bonito, quem é?! Não adianta, o cara sabe que tem um diferencial na aparência. Tem que se achar. Agora, se o Richard Gere declara que não se acha bonito, morreu neves. Ele não é mesmo.

Outra, ter traços bem desenhados não implica em ter charme. Quantos rostinhos angelicais tem por aí sem graça nenhuma?! Charme é atitude, presença...e muito pessoal! Às vezes eu tô aqui enchendo a bola do meu coroa preferido e tem gente aí achando ele um caco. Acontece. Já ouvi dizer até que o Lula é charmoso.

É muito difícil conceituar beleza, charme, o que é e o que não é atraente numa pessoa. Mas ainda acho que a beleza de Afrodite não é fundamental. Fundamental é charme, cheiro, leveza, doçura, encanto. Fundamental é o Richard Gere.


Yes, we shall.