terça-feira, abril 18, 2006

Um conflito, um nó...

Detesto pensamentos negativos. E detesto mais ainda quando eles me ganham, me dominam, me convencem de que eles é que estão certos e não o meu otimismo, ilusão, sonho. Detesto ficar eternamente em dúvida. A escolha pode ser errada, o que estou tentando entender pode não ser explicável, esse lugar pode não ser meu. E isso tudo parece estar além da minha capacidade de abstração. Sei que temos que ligar o botãozinho do "foda-se" às vezes, mas o meu deve estar emperrado. Que vontade de ANDAR pra toda e qualquer coisa que me irrite ou magoe. Por que eu não tenho uma "lixeira" pra onde eu possa mandar os arquivos com vírus que estão me danificando?


Esse tempinho xumbrega também não ajuda...

quinta-feira, abril 13, 2006

United Colors of Toscani



“Todo paraíso tem serpentes.
Menos o da Propaganda.
Ora.
Não são todas as manhãs alpinas?
Não são todas as cozinhas, sem exceção, brancas; lindas; modernas e com alva fumacinha saindo dos bicos das alvas chaleiras postas sobre alvos fogões maravilhosos?
E todas as mesas? Não são elas (super coloridamente) arrumadas, com frutas; sucos; cereais e laticínios (milimétricamente) compostos diante de famílias lindas, pais e mães morenos com casais de filhos (surpreendentemente) louros que - em se tratando de crianças - possuem inauditas disciplina; apetite e alegria matinal?
E os ambientes de trabalho? Não são eles sempre amigáveis e eficientes?”



Trecho do livro 'A Publicidade é um cadáver que nos sorri', de Oliviero Toscani.





Toscani é aquele fotógrafo italiano que produziu as antigas e polêmicas (e lindas!) campanhas da Benetton. Campanhas que não tinham muito a ver com a venda de roupas, não tinham slogan nem produto, mas apenas o famoso United Colors of Benetton - já que o coroa estava mais preocupado em promover a conscientização social do que propriamente a marca. Toscani costumava dizer: "eu tiro fotografias, não vendo roupa". Em vez de apresentar uma realidade fictícia e atraente, através da qual o consumidor fosse seduzido a comprar os produtos anunciados para poder fazer parte desse mundo ideal, ele preferiu transmitir uma realidade atual e verdadeira para gerar a discussão de temas pouco usuais na publicidade, próprios de outros canais. A sua mensagem é simples: transformar a publicidade em veículo de conscientização e não de alienação.
O cara é um gênio, foi extremamente ousado ao fugir do padrão da publicidade atual, tem fotos belíssimas, ricas na sua mensagem e na imagem em si e faz o maior sucesso. Contudo, há alguns anos atrás ele foi entrevistado no programa Roda Viva, da TV Cultura, e quase levou ao enfarto um dos decanos da publicidade brasileira ao acusá-lo de imbecilidade . A verdade seja dita: o italiano é arrogante, pretensioso, sarcástico, irritante. Em seu livro ele despejou suas críticas sem pudor algum – um verdadeiro desabafo. Esculachou a publicidade, cagou solenemente para as críticas e, obviamente, tratou de se enaltecer. Ele é aquele tipo de pessoa que desperta amor ou ódio nos outros, sem meio-termo. Pode ser magnífico por seu talento ou estúpido por suas grosserias. Na minha opinião, ele é os dois. E estou mais para o lado do amor, pois quanto à sua impertinência e agressividade: ele tenha lá sua razão para tal e os publicitários ‘convencionais’ também não são nada cordiais com ele. Ele pode (?). A arrogância de Toscani incomoda sim, mas essa falsa perfeição da publicidade incomoda muito mais.





E eu? Surtei e resolvi escrever sobre Toscani? Não...isso foi fruto de um papo entre futuras publicitárias – será?!






Falando em publicidade...


"Ontem vi um outdoor da Runner, com a foto de uma moça escultural de biquíni e a frase:
Neste verão, qual você quer ser? Sereia ou Baleia?
Respondo. Baleias sempre estão cercadas de amigos; têm vida sexual ativa, engravidam e têm filhotinhos fofos. Baleias amamentam. Baleias nadam por aí, cortando os mares e conhecendo lugares legais como banquisas de gelo e recifes de coral. Baleias têm amigos golfinhos; comem camarão à beça; esguicham água e brincam muito. E cantam bem (têm até CDs gravados!). Baleias são enormes e quase não têm predadores naturais; são bem resolvidas, lindas e amadas, enquanto as sereias... ah, as sereias... Sereias não existem. E se existissem viveriam em crise existencial ('peixe ou ser humano?') Sereias não têm filhos, pois matam os homens que por elas se deixam encantar. São lindas, mas tristes. E sempre solitárias. Runner querida... prefiro ser baleia!"

(texto anônimo, atualmente circulando por aí)