Às vezes damos sorte. Encontramos O cara. Aquele lindo, simpático, sincero, compreensivo, carinhoso. Aquele que nos apóia, nos ouve, nos faz rir, nos traz de volta à realidade e ao mesmo tempo nos faz sonhar acordada. Sim...ele existe. Mas ele é raro. Ele pode gostar de música, de dança, de literatura, de futebol. Ele pode ser moreno. Pode ter espinhas. Pode ter olhos verdes. Pode ter 1,80m. Ele pode ter uns quilinhos a mais. Ele pode ser roqueiro, atleticano, advogado. Ou não. Ele saber dançar forró. Pode gostar de Los Hermanos. Pode ter rinite. Pode ser católico. Pode ser orgulhoso. Pode saber nadar. Ou não. Pode ter uma casa em Minas. Pode querer ter seis filhos. Pode ser organizado. Pode ser extremamente ciumento. Ele pode gostar de animais. Ele pode ser geminiano. Pode ter uma família enorme. Pode ter um sorriso perfeito. Pode saber tocar violão. Ou não. Talvez você nunca o conheça. Talvez ele tenha estado sempre ao seu lado. Mas se você der a sorte de encontrá-lo, não perca tempo. E principalmente...não o perca!
sexta-feira, julho 21, 2006
Rimas pobres

Se o amor me faltar, que venham os amigos
Na dúvida rio e compartilho:
Talvez o coração partido
O desejo reprimido
O choro sentido
Compartilho.
O amor não correspondido
As doses de comprimido
O pecado cometido.
Compartilho porque quando a dor de um amor
(apesar de não ser de mais ninguém)
É vivida solitariamente,
Parece multiplicar-se.
E por mais lindo que seja o amor,
Ninguém quer sofrer eternamente.
Que bom se o amor durar para sempre!
Mas se ele for acometido novamente...
Compartilho.
Na dúvida rio e compartilho:
Talvez o coração partido
O desejo reprimido
O choro sentido
Compartilho.
O amor não correspondido
As doses de comprimido
O pecado cometido.
Compartilho porque quando a dor de um amor
(apesar de não ser de mais ninguém)
É vivida solitariamente,
Parece multiplicar-se.
E por mais lindo que seja o amor,
Ninguém quer sofrer eternamente.
Que bom se o amor durar para sempre!
Mas se ele for acometido novamente...
Compartilho.
terça-feira, julho 18, 2006
It’s a deal!
Então fica combinado assim: eu te esqueço e você me esquece. A gente já se amou mais do que deveria, já perdeu a noção de tempo, espaço, lugar e moral. E tudo mais que possa acontecer só irá nos magoar. Já você...agüente um pouco mais, meu bem, porque ainda há muito o que se amar e, se assim for, ainda viveremos um bom tempo juntos. E quanto a você, que me quer desde o início e a quem eu também quero, me espere que eu chego. Vou amar outros e sentir sua falta sem saber o motivo, assim como você. Vou dizer sempre que está tudo bem, por pior que seja a dor. Vou procurar ficar ao seu lado mesmo sabendo que de nada adianta. E se não for pra ser, vou tentar te esquecer talvez sem nunca ter te amado de verdade. E então nos tornamos apenas cúmplices e deixamos o amor para outros. Todo combinado pode ser quebrado.
Tudo de bom acontece em Elizabethtown

Adoro filmezinhos água–com-açúcar. Confesso. Eu me delicio com aqueles bem bobos, metidos a comédia, com um final feliz e romântico, que são dignos de, no máximo, uma Sessão da Tarde. Como perder um homem em 10 dias, 10 coisas que eu odeio em você, O diário de Brigitte Jones, Uma linda mulher - desse sei até uns diálogos. E paremos por aqui porque a lista é extensa. Adoro filmes-cabeça e afins, mas de tempos em tempos (o intervalo entre os "tempos" é bem curto pra ser sincera) preciso de um chocolate audiovisual para aumentar a glicose do meu cérebro. Nada como ver um filmeco desses para relaxar: você não pensa, só sente e ri.
Mas Tudo acontece em Elizabethtown, de Cameron Crowe (o mesmo diretor de Quase Famosos e Vanilla Sky) é tão envolvente que não merece entrar nessa categoria. Ele não se atém aos encontros e desencontros amorosos, nem aos dramas familiares e muito menos ao humor morno de uma comédia romântica. Ele escapa à rotulação e ao padrão. Todas as cenas parecem estar mergulhadas na extensa trilha sonora, fluindo com muita naturalidade. Não há nada que pese nem que choque, não há nenhuma situação vivida pelos personagens, por mais negativa que seja, que estrague a aura cor-de-rosa do filme. E o diferencial é que esse clima, nada enjoativo, não é fruto do caso amoroso de Drew (o lindo Orlando Bloom) e Claire (a fofa Kirsten Dunst), mas de todas as relações afetivas em geral.
Chega a ser curioso, mas nenhum dos personagens faz o papel de “vilão”, todos são muito carismáticos. Orlando Bloom, como protagonista, finalmente vive um homem normal (bem diferente dos que fez em Piratas do Caribe e Senhor dos Anéis) e não decepciona nada. Crowe escreveu o roteiro do filme tendo Bloom em mente para o papel no qual o ator se encaixou perfeitamente. A experiente e maravilhosa Susan Sarandon, que vive Hollie, Mãe de Drew, dá um show à parte no enterro do marido, no qual ela dança ao som de “Moon River”. A loirinha Kirsten Dunst, ex do Homem-aranha, encanta com seu jeito doce e descontraído. Ela é a responsável por surpresas e ótimas tiradas.
Poucos filmes mexem com as emoções assim tão sutilmente...Tudo acontece em Elizabethtown é bom para ser visto e melhor ainda para ser escutado. É para anotar as falas, guardar sua trilha sonora para sempre, dar algumas risadas, deixar rolar as lágrimas, suspirar, sem culpa, nas cenas românticas e roubar o suave sorriso que Bloom mantém o filme todo. Tudo isso para tentar prolongar o clima gostoso e o efeito anestesiante. Em uma palavra: leve.
segunda-feira, julho 17, 2006
Fórmula do amor
É incrível como hoje em dia tudo é matematizado, calculado, numerado, simplificado, reduzido à frações, fórmulas, equações, etc – inclusive as coisas mais subjetivas. E numa dessas Umberto Eco dá a fórmula para escrever um romance: primeiro é preciso criar a ambientação, todo o mundo com paisagens definidas de acordo com a época da estória, depois se pensa nos personagens e nas suas características físicas e psicológicas. E a partir daí, as palavras surgem. S u r g e m ! Simples, não? Umberto, querido, só se for pra você. Porque nós, na condição de pobres mortais, precisamos de um pouquinho mais (só um pouquinho) para escrever qualquer estorinha que seja, quis sá um romance. Aqui as palavras somem. S o m e m ! Esses intelectuais humilham a minha inteligência...
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