domingo, maio 29, 2005

O romantismo é a melhor imbecilidade que existe

Andei pensando nessa falta que um amor realmente faz. Tentei encontrar um gesto, um ato que simbolizasse com simplicidade o amor que tanto procuramos. Sei lá, uma dessas coisas de casais apaixonados que fazem os solteiros cansados de farra engolirem seco e desviarem o olhar como que percebendo o vazio em seu próprio peito. Quem não repara naquele casal no bar na noite de segunda-feira? Mãos dadas, beijos doces pontuando a noite, a coxa dela jogada por cima da dele por debaixo da mesa... Símbolos não decretados de uma cumplicidade, mesmo que ainda em construção. Existe ali pelo menos a vontade de estar juntos. Quantos podemos falar assim? Somos um exército de sozinhos enfrentando a rotina.

Já não sei mais o que é chegar ao fim de um dia longo, cansado e cinza, e receber um telefonema daquele alguém especial, dizendo que também está morto de exaustão, mas que por estar passando por perto, queria que eu descesse até a portaria só pra me ver e roubar um único beijo antes de se entregar à Morfeu.

Já não sinto mais aqueles abraços totalmente confortáveis que parecem terem sempre existido, nas escadas rolantes de shoppings. Já não sei o que é sorrir quando toca o celular e aparece no visor que é ele que chama. E já nem lembro daquele risinho no canto da boca que mal conseguimos esconder toda vez que falam o nome do seu amor.

Viver com alguém, meio que para alguém. Acho que nem sei mais como isso é. Todo mundo cheio de defesas, cheio de pés atrás, cheio de travas e alarmes prestes a disparar. Se me forço e relaxo (que paradoxo, né?), consigo recordar as pequenas coisas que fazemos quando temos alguém na cabeça. Aquela vontade de ver, de estar junto e descobrir mais e mais. As pequenas conquistas diárias, os ciúmes infundados e saudáveis, aquele gostinho de se sentir especial para uma pessoa.

Será que alguém vai me deixar ser romântica de novo? Será que alguém vai me interromper quando eu estiver falando algo quase sem importância só pra me dar um beijo? Será que eu ainda vou atender o telefone e ouvir “liguei só pra dizer que eu te amo”?

Não sei. Juro que não sei. Procuro não pensar nisso, mas meu coração me sussurra que isso faz falta. Faz falta só pensar nele, faz falta ter pra quem voltar depois da festa, faz falta ter quem cuide de mim quando estou doente (que não seja minha mãe) . Faz falta alguém, mesmo que por telefone, me desejando uma sincera boa noite, que durma com os anjos e sonhe com ele.

Não quero parecer um cachorro caído do caminhão de mudanças emocionais. Andei por shoppings, perambulei por bares, reparei nas cenas mais banais das ruas. Sei bem que um amor, uma paixão altera nosso estado de espírito, faz lembrar que podemos ser tolos, que esquecemos que um dia nos disseram que nunca poderíamos voar. E isso faz falta.

Eu já tive tudo isso, fui vítima, talvez um experimento dessas emoções. Fui bradada com todos esses pequenos detalhes, vivi essa coisa de achar bilhetes de amor no meio de um caderno, de levar um susto por ele no meio do filme de terror e ouvir o quanto eu sou medrosa, sabendo que no fundo ele adora fazer o papel de protetor e corajoso. Sei que declarações apaixonadas sob a luz da lua e beijos seculares não são privilégios de astros de novelas de horário nobre.

Tentei, mas não consegui achar as prováveis estátuas que ornamentam um amor que valha a pena. Quem souber ou puder arriscar, que me diga, que me aponte os caminhos, os inevitáveis marcos que um amor estabelece.


[Autor Desconhecido]

sexta-feira, maio 27, 2005

Fútil ?!

Confesso que não ando muito preocupada com os meninos de rua jogando bolinhas no sinal. Nem dando muita atenção aos noticiários que mostram cenas chocantes de grandes perdas...perdas de casas, pessoas, vidas. Pra falar a verdade, troco de canal. São tsunamis, enchentes, secas, atentados, violência. E eu aqui, linda e loira, com meu excesso de umbiguismo...azucrinando Deus com as minhas rezas pra não chover no feriado, arrancando os cabelos por causa das provas, perdendo horas de sono porque achei que o “Ubaldo” tava meio estranho hoje comigo...será que ele quer terminar? Será que tem outra? Isso sem contar no tempo que gasto programando dietas e ginásticas abandonadas na segunda semana. Claro que na volta da festa eu me sensibilizo ao ver uma família dormindo no chão...mas não deixo de reclamar que meu pé ta doendo horrores por causa do salto alto.


E por incrível que pareça isso não me torna uma pessoa má...talvez acomodada como tantas outras e cansada de me esforçar pra fazer alguma mudança significante. O meu consolo e ilusão é que a idade me limita...


É assim [agora]

Mil

És mil aos meus olhos
Tens mil facetas!
Não aprecio essas mil que se mostram
Mas sou capaz de amar-te mil vezes na mesma
E abdicar de meu próprio gosto e julgamento
Para adaptar-me às outras.