domingo, novembro 28, 2004

Luz....camera....ação....(vivendo!)

Minha imaginação é exageradamente fértil. Hj eu fui capaz de acordar e permanecer na cama de olhos fechados para acabar de inventar o meu sonho interrompido pela luz do sol (Sim...porque a cortina está lavando...).E eu fiquei horas bolando a continuação desse sonho. O protagonista dele é alguém com quem não sei se ainda vale a pena sonhar, pois já está longe de mim o suficiente para nunca mais voltar. E o pior é que eu sonhei com o que já aconteceu, ou melhor, sonhei com o que poderia ter acontecido, do jeito que eu queria, onde eu queria....eu reinventei o meu passado. E confesso que não foi a primeira vez que isso acontece. Inúmeras vezes já pensei em situações e diálogos que eu gostaria que tivessem sido reais. Essa minha criatividade tem um preço alto a ser pago. Porque quanto mais eu sonho, mais esse assunto se autoafirma como meu foco e mais eu sofro. Imaginar esse caso de amor como um filme, com direito à cenas de carinho, de declarações, de trocas de olhares, abraços e beijos com um fundo musical, só aguça a minha vontade de viver isso tudo, mesmo que não seja tão perfeito como é nas telas dos cinemas.

Ao mesmo tempo, me sinto muito atriz de Hollywood, quando tenho esses momentos sonhadores e reflexivos. É um tudo de bom tirar alguns minutos do seu dia para sonhar com as coisas do jeitinho que você sempre quis que elas fossem. É bem típico daquele personagem que está no meio do trabalho, de repente olha para a janela e começa a pensar sobre a vida e relembrar do passado até chegar numa decisão séria a ser tomada. Então ele tem aquele impulso, pula da cadeira, vai embora do escritório (claro que ninguém se importa dele sair no meio do expediente...) e finalmente conta à mulher que a traiu, ou que descobriu que a ama, ou ainda resolve pegar o carro e ir atrás da moça que está quase embarcando no avião, para fazer-lhe uma declaração....claro que ele chega a tempo, mesmo tendo saindo 7:01 para o vôo que era 7:00. No nosso mundo não temos tempo pra isso, sabemos que refletir não garante o salário no final do mês, não faz nenhum estudante passar de ano e que no final das contas as coisas não dão tão certo assim. Contudo, de vez em quando é bom nos darmos a esse luxo. Faz bem avaliarmos nossos atos e os dos outros com calma, entender o que se passa, analisar os fatos. Realizar sucessivas ações e achar que isso é viver é pior do que levar a vida como uma eterna gravação. Temos que nos conscientizar, sofrer, amar, pensar, falar, idealizar, programar, realizar.....e principalmente...sentir! Se não sentirmos, de nada valerá o que estamos passando.

E eu ainda não achei uma aplicação útil para essa minha imaginação fértil....

Minha doença

Tenhu uma doença. Ainda não descobri seu nome...Uns chamam de sentimentalismo, dramaticidade, outros de depressão e alguns falam convictamente que é TPM. Discordo das três denominações....mas ainda não tenho a minha. Acho mais importante conhecê-la do que dar-lhe um nome. Então procurei me informar sobre a bendita (ou maldita?!). Descobri sua procedência. Ela é causada por sentimentos e sensações fortes. E talvez médias também. É agravada por umas doses de álcool (após algum tempo de efeito deste) e qualquer tipo de chocolate. Ah sim....algumas vezes uma música é suficiente pra provocá-la. Diria que essa doença é passageira mas não necessariamente ligeira, ou até que é do tipo que se instala definitivamente no organismo mas que se evidencia com a ação dos fatores acima.

O importante é que descobri seu remédio....escrever! Como todo bom medicamento causa efeitos colaterais. Como geralmente os comprimidos são tomados à noite, há algumas madrugadas passadas em claro, como esta. Pode-se desenvolver um interesse maior pela leitura....de futilidades, notícias e até de clássicos. Caso haja divulgação do que se escreve, há chances de surgirem elogios e também críticas...mas diria que o primeiro é mais comum.

Há uma grande probabilidade do doente julgar não saber se medicar da melhor forma, e de descobrir com o tempo. E é exatamente o que eu espero que aconteça comigo. Não sei como nem por onde começar a escrever. Sei que é eficaz na cura dessa "doença". Por isso resolvi criar esse blog. Para ninguém ler. Pelo menos por enquanto, já que ainda estou meio perdida nesse mundo das palavras. Mas para me ajudar, me aliviar e quem sabe até descobrir que escrever é mesmo o meu melhor remédio e prazer. Fato da qual já desconfio que seja verdade.

O ministério da saúde adverte : o uso desse medicamento gera dependência.