quarta-feira, agosto 01, 2007

No fim da estrada sem fim



Só queria andar em uma estrada sem fim. Onde tivessem muitas árvores e montanhas ao redor. Queria que fosse dia. Não passariam carros nem pessoas e o sol seria a melhor companhia. A estrada sem fim seria uma grande reta onde se pudesse correr até perder as forças. Às vezes é preciso perder as forças. Deitar no chão. Cansar. Na estrada sem fim eu cansaria. E mais, na estrada sem fim eu poderia dizer: estou cansada.
Quando eu não agüentasse nem mais o sol, poderia chover. Poderia chover muito. Mas sem raios nem trovões. A estrada sem fim não é assustadora. Choveria no meio do dia e eu gritaria até perder a voz. Depois das forças e da voz, perderia quase involuntariamente todas as lágrimas restantes, que se misturariam com a chuva. Após a chuva faria um silêncio sedativo, eu andaria devagar e aprenderia a assobiar sozinha. Em pouco tempo estaria cantarolando, dando piruetas, toda serelepe.
No fim da estrada sem fim haveria uma aldeia. Os moradores do fim da estrada sem fim me receberiam com música e festa. Tomaríamos café e comeríamos bolo quente todos juntos. Eles seriam felizes de verdade. Tão felizes que eu poderia deixar por lá todas as minhas mágoa e todas as lembranças, inclusive as mais doídas, porque eles não se importariam. Talvez eu conseguisse convencê-los ainda a ficar com os meus piores defeitos e todas as lágrimas. Em troca, poderia encontrar a outra metade dos meus sentimentos. Aquela metade cujo lugar foi tomado justamente por tudo aquilo que eu queria me desfazer.
"Você já deixou tudo isso pelo caminho", diria um dos moradores. Eu não concordaria: "Como já deixei? Não faz sentido! E a metade dos meus sentimentos? Por acaso acharei ela no caminho de volta?" Mas não ia conseguir dizer nada. Teria passado a aceitar o que me diziam. Não contestaria mais. E quando eu perdoasse um outro, compreenderia que realmente tudo ficara para trás, no caminho, no cansaço, na chuva, no grito, nas lágrimas, no chão. Por fim, eu enxergaria que a outra metade dos sentimentos sempre estivera ali. Antes estava apenas encoberta, mas nunca deixara de existir. E agora, poderia enfim ser vivida.

terça-feira, julho 31, 2007

Tédio

A melhor arma contra o tédio é tomar uma atitude neurótico-frenética. Balançar os pés como se não tivesse controle sobre eles. Comer os cantos das unhas. Estalar osso por osso. Contar as pedrinhas portuguesas do chão. Assassinar formigas indefesas com o calcanhar. Ver até onde o chiclete mastigado vai sem arrebentar.
Restou-me o básico no combate ao tédio: papel, caneta e um par de olhos. E assim continuei anotando qualquer coisa que me viesse à mente, qualquer pensamento estranho, rima, palavra inventada, idéia, nome, teoria. Olhando ao redor, eu analisava algum ponto, um detalhe da paisagem ou mesmo uma pessoa que me chamasse a atenção, e começava a descrever aquilo freneticamente. É uma sensação ótima, a de não saber nada sobre a pessoa ou a situação e tentar descrevê-las como parecem ser. Eu imaginava que os livros nasciam assim: o escritor sentava à beira de um lago, observava os pássaros e o céu e aquilo o levava a viajar por lugares maravilhosos que se tornariam cenários de grandes aventuras. Para mim, os melhores livros do mundo deviam ter começado em bancos de praças, filas, salas de espera, pontos de ônibus.
Mais do que possuir um talento imanente, os escritores eram simples mortais entediados que tomaram gosto por observar e analisar a natureza humana.Por isso eu passei a colocar na bolsa, sempre que lembrava, uma agenda, um caderno, um bloco ou um bando de papéis desorganizados. Peguei o hábito (mania? neurose? transtorno obsessivo-compulsivo?) de fazer anotações, a maioria sem sentido, boa parte pela metade, muitas perdidas, mas todas muito, muito divertidas. Pode ser que eu jamais escreva um livro. Mas de tédio eu não morro.

Registro

Passado é uma coisa que assombra. Na verdade assombra mais aos outros do que a nós mesmo. Por isso devia ficar guardado apenas na nossa memória. Sem registros, cartas, fotos, e muito menos memórias alheias – para não atrapalhar nem o presente nem o futuro. Pensando nisso, me poupo de registrar sentimentos ou pensamento agora e menos ainda suas razões. Só ficam duas coisas que me impressionam: a cara-de-pau e a facilidade de amar e desamar de alguns e a recompensa merecida que é dada à outros, mesmo que seja sem querer.

Não há porque se culpar...

domingo, janeiro 28, 2007

Curiosidades



Descobri que tucanos voam em pares
Que eu perco muito tempo pensando
Que minha mãe tem poderes sobrenaturais de entrar na minha consciência
Que a comodidade é mais prejudicial do que parece
Descobri que num casal, os indivíduos correm o risco de perder a sua própria identidade e isso é extremamente perigoso
Que teoria da comunicação até que é interessante
Que, se tem uma descoberta da física que se aplica diretamente à minha vida, essa é a inércia
Que eu tenho preguiça de tudo e vontade de tudo e que essas duas características não convivem muito bem
Descobri que fagote é um instrumento musical
Que UCI significa também União Ciclística Internacional
Que a capital da Romênia é Bucareste
Que (in)felizmente eu gosto de funk
Que o meu ser se alimenta de conversas
Descobri que o amigo pode virar namorado, o namorado pode virar amigo, que a melhor amiga pode, all of a sudden, se afastar enquanto uma nova toma seu lugar e o que resta pra nós é aceitar essa vulnerabilidade assustadora das relações
Descobri que eu ADORO falar difícil
Que tenho 5 amigos gays
Que a ictiologia é a ciência que estuda os peixes
Que eu não quero fazer jornalismo, publicidade nem cinema
Descobri que o trânsito de Botafogo é um inferno
Que o trânsito da Lagoa é um inferno
Que o trânsito do Centro é um inferno
E que o trânsito da Barra está virando o mesmo inferno
Descobri que, não importa o quanto você tente, algumas pessoas simplesmente não vão mudar nunca
Que é preciso dançar conforme a música e não pisar no pé de ninguém
Que os relacionamentos se desgastam com extrema facilidade
Que trabalhar é gratificante e viciante
E que, se tem outra descoberta da física que se aplica diretamente e diariamente à minha vida, essa é a lei de Murphy
Descobri que eu deveria ter feito psicologia
Que o meu maior desejo é ter uma imaginação fértil e inexaurível
Que eu estou constantemente insatisfeita
Descobri que eu vou ter que passar a minha vida inteira fazendo dieta
Que o Cazuza e o Amarante deveriam ter composto algumas músicas juntos
Que eu sou uma defensora neurótica da boa escrita
Que, às vezes, eu presto mais atenção no que as pessoas falam do que elas mesmas
Descobri que eu tenho medo das minhas escolhas
Que o mundo tem 64 pessoas
Que o mundo assassinou a minha timidez
E que o amor nunca acaba...



Será que eu nunca percebi isso?

Você tem exatamente 3 mil horas pra parar de me beijar



Ah...quisera eu ter o dom de descrever um cheiro!
Dos cinco sentidos que nos foram dados, nenhum mexe mais com as emoções do que o olfato. Queria aqui descrever os sentimentos não com palavras, mas com um perfume. Esse que me inebria e que é quase capaz de me convencer de que ele ainda está aqui. Como pode uma fragrância evocar tantas lembranças e sensações? Queria aqui poder falar da textura da pele, do toque suave, do gosto da boca, da temperatura do corpo, da beleza da face, da voz serena, da risada gostosa...talvez do amor!

Amigo homem é imprescindível

Ela
A faculdade está acabando com a minha cabeça, desconstruindo todos os meus pensamentos...

Ele
Ah, mas isso é bom. Para poder construir algo conscientemente, é necessário demolir tudo que foi construído pela sociedade subconscientemente (ando vendo muito Clube da Luta).

Ela
Mas dá uma sensação que você está pisando em nuvens (em um sentido nada-poético e nada-romântico) como se toda a sua base não fosse tão sólida."Tudo o que é sólido desmancha no ar", diria nosso amigo Marx.

Ele
Cara, eu casava com você nesse momento.
Passou...

Ela
Por que?!

Ele
Linda e com um cérebro?! Achei que vocês não existiam...(nossa, que comentário machista, fiquei com vergonha de mim mesmo, isso soou muito errado). "Com um cérebro" eu quis dizer que pensa parecido comigo, mas me expressei mal. Você me odeia agora?

Ela
Odeio. Mesmo assim eu entendi, mas raros são homens com um cérebro que funcione de acordo com a "normalidade".

Ele
Defina "normalidade".

Ela
Sem distúrbios, patologias e neuroses não-controladas. Porque doideiras e manias todos nós temos: é saudável!

Ele
Então os homens são assim e as mulheres são normais? Até concordo que homem é bicho burro, mas mulher é bicho muito mais complicado. Exatamente, talvez, por serem mais inteligentes, logo, mais complexas.

Ela
Não sei se as mulheres são de fato mais inteligentes, talvez somente amadureçam mais rápido. Mas que somos mais complexas isso somos. Temos fatores externos que interferem diretamente na nossa mente. Externos e internos. Por exemplo (banal) a TPM. Somos mais sensíveis, mais sentimentais e muitas vezes mais dramáticas, o que pode superdimensionar os acontecimentos.

Ele
Não ouse usar isso para a depreciação da minha pessoa, mas eu queria ser mulher.

Ela
Gay.

sexta-feira, julho 21, 2006

Cada dia a mais é um a menos pro encontro acontecer

Às vezes damos sorte. Encontramos O cara. Aquele lindo, simpático, sincero, compreensivo, carinhoso. Aquele que nos apóia, nos ouve, nos faz rir, nos traz de volta à realidade e ao mesmo tempo nos faz sonhar acordada. Sim...ele existe. Mas ele é raro. Ele pode gostar de música, de dança, de literatura, de futebol. Ele pode ser moreno. Pode ter espinhas. Pode ter olhos verdes. Pode ter 1,80m. Ele pode ter uns quilinhos a mais. Ele pode ser roqueiro, atleticano, advogado. Ou não. Ele saber dançar forró. Pode gostar de Los Hermanos. Pode ter rinite. Pode ser católico. Pode ser orgulhoso. Pode saber nadar. Ou não. Pode ter uma casa em Minas. Pode querer ter seis filhos. Pode ser organizado. Pode ser extremamente ciumento. Ele pode gostar de animais. Ele pode ser geminiano. Pode ter uma família enorme. Pode ter um sorriso perfeito. Pode saber tocar violão. Ou não. Talvez você nunca o conheça. Talvez ele tenha estado sempre ao seu lado. Mas se você der a sorte de encontrá-lo, não perca tempo. E principalmente...não o perca!

Rimas pobres



Se o amor me faltar, que venham os amigos
Na dúvida rio e compartilho:
Talvez o coração partido
O desejo reprimido
O choro sentido
Compartilho.
O amor não correspondido
As doses de comprimido
O pecado cometido.
Compartilho porque quando a dor de um amor
(apesar de não ser de mais ninguém)
É vivida solitariamente,
Parece multiplicar-se.
E por mais lindo que seja o amor,
Ninguém quer sofrer eternamente.
Que bom se o amor durar para sempre!
Mas se ele for acometido novamente...
Compartilho.

terça-feira, julho 18, 2006

It’s a deal!

Então fica combinado assim: eu te esqueço e você me esquece. A gente já se amou mais do que deveria, já perdeu a noção de tempo, espaço, lugar e moral. E tudo mais que possa acontecer só irá nos magoar. Já você...agüente um pouco mais, meu bem, porque ainda há muito o que se amar e, se assim for, ainda viveremos um bom tempo juntos. E quanto a você, que me quer desde o início e a quem eu também quero, me espere que eu chego. Vou amar outros e sentir sua falta sem saber o motivo, assim como você. Vou dizer sempre que está tudo bem, por pior que seja a dor. Vou procurar ficar ao seu lado mesmo sabendo que de nada adianta. E se não for pra ser, vou tentar te esquecer talvez sem nunca ter te amado de verdade. E então nos tornamos apenas cúmplices e deixamos o amor para outros. Todo combinado pode ser quebrado.

Tudo de bom acontece em Elizabethtown


Adoro filmezinhos água–com-açúcar. Confesso. Eu me delicio com aqueles bem bobos, metidos a comédia, com um final feliz e romântico, que são dignos de, no máximo, uma Sessão da Tarde. Como perder um homem em 10 dias, 10 coisas que eu odeio em você, O diário de Brigitte Jones, Uma linda mulher - desse sei até uns diálogos. E paremos por aqui porque a lista é extensa. Adoro filmes-cabeça e afins, mas de tempos em tempos (o intervalo entre os "tempos" é bem curto pra ser sincera) preciso de um chocolate audiovisual para aumentar a glicose do meu cérebro. Nada como ver um filmeco desses para relaxar: você não pensa, só sente e ri.

Mas Tudo acontece em Elizabethtown, de Cameron Crowe (o mesmo diretor de Quase Famosos e Vanilla Sky) é tão envolvente que não merece entrar nessa categoria. Ele não se atém aos encontros e desencontros amorosos, nem aos dramas familiares e muito menos ao humor morno de uma comédia romântica. Ele escapa à rotulação e ao padrão. Todas as cenas parecem estar mergulhadas na extensa trilha sonora, fluindo com muita naturalidade. Não há nada que pese nem que choque, não há nenhuma situação vivida pelos personagens, por mais negativa que seja, que estrague a aura cor-de-rosa do filme. E o diferencial é que esse clima, nada enjoativo, não é fruto do caso amoroso de Drew (o lindo Orlando Bloom) e Claire (a fofa Kirsten Dunst), mas de todas as relações afetivas em geral.

Chega a ser curioso, mas nenhum dos personagens faz o papel de “vilão”, todos são muito carismáticos. Orlando Bloom, como protagonista, finalmente vive um homem normal (bem diferente dos que fez em Piratas do Caribe e Senhor dos Anéis) e não decepciona nada. Crowe escreveu o roteiro do filme tendo Bloom em mente para o papel no qual o ator se encaixou perfeitamente. A experiente e maravilhosa Susan Sarandon, que vive Hollie, Mãe de Drew, dá um show à parte no enterro do marido, no qual ela dança ao som de “Moon River”. A loirinha Kirsten Dunst, ex do Homem-aranha, encanta com seu jeito doce e descontraído. Ela é a responsável por surpresas e ótimas tiradas.

Poucos filmes mexem com as emoções assim tão sutilmente...Tudo acontece em Elizabethtown é bom para ser visto e melhor ainda para ser escutado. É para anotar as falas, guardar sua trilha sonora para sempre, dar algumas risadas, deixar rolar as lágrimas, suspirar, sem culpa, nas cenas românticas e roubar o suave sorriso que Bloom mantém o filme todo. Tudo isso para tentar prolongar o clima gostoso e o efeito anestesiante. Em uma palavra: leve.

segunda-feira, julho 17, 2006

Fórmula do amor

É incrível como hoje em dia tudo é matematizado, calculado, numerado, simplificado, reduzido à frações, fórmulas, equações, etc – inclusive as coisas mais subjetivas. E numa dessas Umberto Eco dá a fórmula para escrever um romance: primeiro é preciso criar a ambientação, todo o mundo com paisagens definidas de acordo com a época da estória, depois se pensa nos personagens e nas suas características físicas e psicológicas. E a partir daí, as palavras surgem. S u r g e m ! Simples, não? Umberto, querido, só se for pra você. Porque nós, na condição de pobres mortais, precisamos de um pouquinho mais (só um pouquinho) para escrever qualquer estorinha que seja, quis sá um romance. Aqui as palavras somem. S o m e m ! Esses intelectuais humilham a minha inteligência...

quarta-feira, maio 17, 2006

Brainstorm

Superlotação da mente. Felicidade aguda. Vontade de viver intensamente. 6 da manhã. Andar sob o sol. Ler. Ler. Ler. Tudo às mil maravilhas! Mas que preguiça de abrir a boca pra falar, de sentar pra escrever, de parar pra pensar. Tanta coisa acontece e tão pouco fica registrado. Que dor de algo ainda desconhecido estar se perdendo como conseqüência. Memória, sentimento, seja o que for. A estabilidade pela primeira vez é real e gostosa. Os pensamentos são como sempre confusos, mas dessa vez mais satisfeitos, menos contestadores e inconformados com a realidade. Claro que ainda há muito com o que se revoltar. E não é uma questão de vestir os óculos cor-de-rosa e fingir que nada de ruim acontece. Só que é mais fácil encarar as coisas quando o coração está tranqüilo e a mente educada. Educada a não distorcer tudo, a não elaborar problemas, porque, como diz uma frase de autor desconhecido, “você não precisa inventar problemas, os reais vão aparecer logo”. Ok, talvez não seja BEM essa a frase, mas é por aí.

Se eu fosse dar alguns conselhos para mim mesma, diria para eu não procurar sarna pra me coçar, não me preocupar tanto com o futuro, para eu parar de achar que tudo funciona segundo a lei de “ação e reação”, para eu curtir mais, rezar mais, ler mais, estudar mais, escrever mais, fazer mais esportes, pegar mais sol, me arrumar mais, conversar mais, me abrir MUITO mais e parar de viver problemas que não são meus. Me culpar menos, dormir menos, perder menos tempo fazendo coisas que não me acrescentam nada e, quando preciso for, saber dizer não às pessoas – senão elas abusam. Se eu fosse dar alguns conselhos para os outros, diria para pararem de uma vez por todas de exagerar, de generalizar, de fazer tempestade em copo d’água, de sofrer tanto por tão pouco, para passarem a perdoar e, principalmente, a se perdoar, se permitir errar, afinal, ninguém é perfeito e nenhum erro é tão grande assim que não possa ser superado.

Mas eu entendo que não dê para seguir todos esses conselhos, até porque eu não me ouço e, na verdade, os outro também não me ouvem tanto. Fora isso, tem horas em que dá mesmo aquele mal-estar, aquela vontade de dramatizar, de questionar tudo e de se sentir um estranho no ninho, no mundo, na sua própria pele. É como Lulu diz, "sei lá...tem dias que a gente olha pra si e pergunta se é mesmo isso aí que a gente achou que ia ser quando a gente crescer". Talvez a resposta seja uma decepção consigo mesmo, mas talvez seja algo que fugia de nossos planos e que de alguma forma nos tornou melhores. Nem sempre o que queremos e julgamos ser o melhor é de o que nos vai trazer felicidade. Essa é uma verdade conhecida por todos, mas que precisa ser lembrada e internalizada. É impressionante como o melhor conselho para a maioria das nossas crises acaba sendo esse tipo de preceito.

O porquê dessa tempestade de idéias, palavras e sensações? É a falta de algo que talvez eu nunca tive. Quando a gente sente falta de algo que não sabe o que é, sai falando sobre tudo, quem sabe isso facilite a busca. Talvez seja só a privação de algo que eu sempre pude usufruir. Talvez falte persistência. Talvez falte essa visão de mundo que aos poucos está se aprimorando. Talvez falte um tipo de liberdade que me é necessário para ser feliz. Porque não preciso de todos os tipos, mas alguns são quase vitais, como a liberdade de expressão – no seu sentido mais amplo. E há várias formas sutis de reprimi-la. Essas formas são as mais perigosas nos colocando em uma situação embaraçosa ao termos que reivindicar nossos direitos com igual sutileza. Na marra é mais fácil. Perigosas também porque nos deixam com um nó na garganta e nos fazem até duvidar se não somos nós mesmo que não estamos nos permitindo falar tudo o que queríamos (algumas pessoas tem o poder de fazer isso aos outros, até mesmo sem saber). Talvez falte iniciativa. Não falta segurança nem confiança. Juro que não falta amor. Talvez falte vontade ou força de. Falta levar mais a sério e com mais leveza. Falta fé.

Subjetivo demais - era o que eu precisava.

terça-feira, maio 09, 2006

"..."

“Sentia desejos irreprimíveis de se soltar e de se permitir afinal um instante de rebeldia, o instante tantas vezes desejado e tantas vezes adiado, para cortar a resignação pela raiz e cagar de uma vez para tudo e tirar do coração os infinitos montes de palavrões que tivera que engolir durante um século inteiro de conformismo.
-Porra! – gritou.
Amaranta, que começava a colocar a roupa no baú, pensou que ela tinha sido picada por um escorpião.
- Onde está? – perguntou Amaranta
- O quê?
- O animal – esclareceu Amaranta.
Úrsula pôs o dedo no coração.
- Aqui – disse.”


Trecho de Cem anos de Solidão, Gabriel García Perfeito Márquez.

terça-feira, abril 18, 2006

Um conflito, um nó...

Detesto pensamentos negativos. E detesto mais ainda quando eles me ganham, me dominam, me convencem de que eles é que estão certos e não o meu otimismo, ilusão, sonho. Detesto ficar eternamente em dúvida. A escolha pode ser errada, o que estou tentando entender pode não ser explicável, esse lugar pode não ser meu. E isso tudo parece estar além da minha capacidade de abstração. Sei que temos que ligar o botãozinho do "foda-se" às vezes, mas o meu deve estar emperrado. Que vontade de ANDAR pra toda e qualquer coisa que me irrite ou magoe. Por que eu não tenho uma "lixeira" pra onde eu possa mandar os arquivos com vírus que estão me danificando?


Esse tempinho xumbrega também não ajuda...

quinta-feira, abril 13, 2006

United Colors of Toscani



“Todo paraíso tem serpentes.
Menos o da Propaganda.
Ora.
Não são todas as manhãs alpinas?
Não são todas as cozinhas, sem exceção, brancas; lindas; modernas e com alva fumacinha saindo dos bicos das alvas chaleiras postas sobre alvos fogões maravilhosos?
E todas as mesas? Não são elas (super coloridamente) arrumadas, com frutas; sucos; cereais e laticínios (milimétricamente) compostos diante de famílias lindas, pais e mães morenos com casais de filhos (surpreendentemente) louros que - em se tratando de crianças - possuem inauditas disciplina; apetite e alegria matinal?
E os ambientes de trabalho? Não são eles sempre amigáveis e eficientes?”



Trecho do livro 'A Publicidade é um cadáver que nos sorri', de Oliviero Toscani.





Toscani é aquele fotógrafo italiano que produziu as antigas e polêmicas (e lindas!) campanhas da Benetton. Campanhas que não tinham muito a ver com a venda de roupas, não tinham slogan nem produto, mas apenas o famoso United Colors of Benetton - já que o coroa estava mais preocupado em promover a conscientização social do que propriamente a marca. Toscani costumava dizer: "eu tiro fotografias, não vendo roupa". Em vez de apresentar uma realidade fictícia e atraente, através da qual o consumidor fosse seduzido a comprar os produtos anunciados para poder fazer parte desse mundo ideal, ele preferiu transmitir uma realidade atual e verdadeira para gerar a discussão de temas pouco usuais na publicidade, próprios de outros canais. A sua mensagem é simples: transformar a publicidade em veículo de conscientização e não de alienação.
O cara é um gênio, foi extremamente ousado ao fugir do padrão da publicidade atual, tem fotos belíssimas, ricas na sua mensagem e na imagem em si e faz o maior sucesso. Contudo, há alguns anos atrás ele foi entrevistado no programa Roda Viva, da TV Cultura, e quase levou ao enfarto um dos decanos da publicidade brasileira ao acusá-lo de imbecilidade . A verdade seja dita: o italiano é arrogante, pretensioso, sarcástico, irritante. Em seu livro ele despejou suas críticas sem pudor algum – um verdadeiro desabafo. Esculachou a publicidade, cagou solenemente para as críticas e, obviamente, tratou de se enaltecer. Ele é aquele tipo de pessoa que desperta amor ou ódio nos outros, sem meio-termo. Pode ser magnífico por seu talento ou estúpido por suas grosserias. Na minha opinião, ele é os dois. E estou mais para o lado do amor, pois quanto à sua impertinência e agressividade: ele tenha lá sua razão para tal e os publicitários ‘convencionais’ também não são nada cordiais com ele. Ele pode (?). A arrogância de Toscani incomoda sim, mas essa falsa perfeição da publicidade incomoda muito mais.





E eu? Surtei e resolvi escrever sobre Toscani? Não...isso foi fruto de um papo entre futuras publicitárias – será?!






Falando em publicidade...


"Ontem vi um outdoor da Runner, com a foto de uma moça escultural de biquíni e a frase:
Neste verão, qual você quer ser? Sereia ou Baleia?
Respondo. Baleias sempre estão cercadas de amigos; têm vida sexual ativa, engravidam e têm filhotinhos fofos. Baleias amamentam. Baleias nadam por aí, cortando os mares e conhecendo lugares legais como banquisas de gelo e recifes de coral. Baleias têm amigos golfinhos; comem camarão à beça; esguicham água e brincam muito. E cantam bem (têm até CDs gravados!). Baleias são enormes e quase não têm predadores naturais; são bem resolvidas, lindas e amadas, enquanto as sereias... ah, as sereias... Sereias não existem. E se existissem viveriam em crise existencial ('peixe ou ser humano?') Sereias não têm filhos, pois matam os homens que por elas se deixam encantar. São lindas, mas tristes. E sempre solitárias. Runner querida... prefiro ser baleia!"

(texto anônimo, atualmente circulando por aí)

terça-feira, março 21, 2006

Deve ser da vida acostumar

Mas durante quatro anos ele lhe reiterou o seu amor, e ela encontrou sempre a maneira de recusá-lo sem feri-lo, porque, embora não conseguisse amá-lo, já não podia viver sem ele.


Gabriel García Márquez








I'm sure I won't being rude
But it's just your attitude
It's tearing me apart
It's ruining everything

Do you have to let it linger?


The Cranberries












E eles quedam mordidos para sempre
deixaram de existir, mas o existido
continua a doer eternamente


Carlos Drummond de Andrade








E (eu?) tenho dito.

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Aos Ets

Se vocês procuram algo artificial venham à Terra. Aqui se compram peitos, diplomas e amores. É um espetáculo! Barato não é, mas não se preocupem: temos contrabando, pirataria, comércio informal...tudo quanto é tipo de ilegalidade!

Estão atrás de emoção?! Acharam o lugar certo...aqui aviões invadem prédios, bombas explodem em lugares determinados por homens de terno, guerras são travadas por razoes econômicas, territoriais, religiosas e ideológicas. Tudo é motivo pra guerra. Falam muito em paz também, mas não passa de intriga da oposição. O nosso forte é a violência.

Apreciam uma culinária saudável?! Então vocês tem que conhecer o nosso planeta. Temos hambúrguer, batata-frita, milk-sheik, pipoca, chocolate, coca-cola, pizza. É verdade que são alimentos com alto índice calórico. Mas não se preocupem: caso estejam com uns quilinhos a mais, temos lipo-aspiração e em última instância, a cirurgia de estômago. Na primeira um aspirador suga a sua gordura, te deixando roxo por um bom tempo e na segunda colocam um anel no seu estômago para diminuí-lo. Ambas muito tranqüilas e delicadas.

Sofrem de mau-humor?! Seus problemas acabaram. Chegou o revolucionário pacote risadetion das atrapalhadetions dos politiquetions plus. É realmente divertidíssimo ver o grande teatro que se trava nas relações políticas! P.U.R.A. C.O.M.É.D.I.A. E inteiramente de grátis, sem nenhum custo adicional, você leva o super brinde: uma fita de vídeo com os melhores momentos das CPIs, como, por exemplo, o do querido (e agora caçado!) Dirceu alegando ser “inocêncio”. Além disso, aqui tem uns remedinhos que vão deixar vocês viajaaaaarem e esquecerem de todos os problemas, verdinhos...não é recomendado, mas o povo aqui é meio desobediente.

Cansados da rotina?! Aqui ninguém fica parado! De tempos em tempos, temos furacões e ondas gigantes para animar a galera. Temos todos os tipos de fenômenos. Efeito estufa, aquecimento global, destruição da camada de ozônio, Ronaldinho (apesar de 11 entre 10 mulheres acharem que fenômeno mesmo é o David Beckman), secas, enchentes...e mais alguns a serem descobertos.

Foram assaltados e perderam a passagem de volta?! Temos cambistas, galera....

segunda-feira, dezembro 26, 2005

Apenas registrando: O menininho e a menininha.

Um menininho conhece uma menininha em meio a muitas outras. Ele começa a gostar dela, mas a menininha é desligada e nem percebe. Ela fica sabendo por um amigo do menininho e passa a reparar nele. O menininho é lindo! Eles começam a namorar. A menininha começa a gostar cada vez mais dele e ele dela. O menininho se apaixona e depois de um tempo a menininha confessa estar apaixonada também. A menininha tem medo dos seus sentimentos, mas sabe que é inevitável amar o menininho. Eles vão trocando beijos, apelidos, carinhos, olhares, sorrisos, segredos. Até que a menininha se sente mais dele do que dela mesmo. Até que as manias dele são agora dela também. Até que os pensamentos se coincidem, os corpos ficam em perfeita harmonia, os corações batem no mesmo ritmo. E não restam mais dúvidas: a menininha ama o menininho. Mas ela não fala. Ela continua cheia de medos e ele continua sem saber o que ela sente de verdade. E então acontece o inesperado, o improvável, o praticamente impossível pra menininha: ele diz que a ama. Aí a menininha é tomada pela emoção, se perde nas palavras do menininho e fica tão feliz, mas tão feliz que acaba não dizendo pra ele que o que ela sente também é amor. A menininha é enrolada, ela complica as coisas. A menininha tem tantas fraquezas! Tantos medos! Tantos paradoxos! Ela tem medo de sofrer, mas acredita que o menininho seria incapaz de fazer mal à ela. Ela tem medo de perdê-lo, mas sente que ele é o menininho da vida dela. Ela tem ciúmes de outras menininhas, mas sabe que o menininho é só dela. A menininha sabe no fundo que vai dar tudo certo, afinal ele é o menininho perfeito pra ela, não importando o que ela tema. Mas o menininho gosta dela assim mesmo, com sua vergonha, suas maluquices, seus erros...até porque ele também os tem. O menininho é maravilhoso...e por isso mesmo, a menininha acha que ele merece saber que ela o ama. Ele fica sabendo. Fica feliz! Ela consegue falar. Fica muito feliz! Eles, que antes era um menininho e uma menininha, agora são o menininho da menininha e a menininha do menininho. Os menininhos se amam. E viverão felizes para sempre!

terça-feira, dezembro 13, 2005

Antes era perfeito

Ter nascido me estragou a saúde.





~* Clarice Lispector

sábado, outubro 22, 2005

Referendo

Já que estamos em tempos de referendo, vamos fazê-lo para coisas que realmente importam:


- Proibir a Sheila Caravalho de posar nua. Gente, eu não aguento mais ver aquela mulher pelada. Vistam-na, por favor. Já perdeu a graça.

- Pena de morte para os políticos que não cumprem promessas de campanha eleitoral. Dispensa comentários.

- A organização de um pacote de viagem para os paraísos fiscais.

- Caixa dois ser considerado crime inafiançável.

- Multa altíssima para a veiculação de comerciais de supermercados com musiquinhas irritantes e pessoas sorridentes empurrando carrinhos.

- A liberdade de Maluf e seu filho.

- Prisão perpétua para os criadores daqueles efeitos breguérrimos em clipes de 15 anos, novelas e filmes.

- Montinho no Dirceu. Ele tá merecendo.

- O bloqueio dos telefones dos operadores de telemarketing.



E assim por diante.

Com tantos assuntos interessantíssimos, o governo propõe votar desarmamento! Ora bolas...

terça-feira, outubro 18, 2005

Van

Dez reais na mão, uma matéria para entregar valendo cinco pontos, atrasada há uma hora, andando de van, descabelada, espremida entre um sujeito mal-vestido que dirigia com dificuldade por ter uns 7 graus de miopia e um jovem candidato à novo MC Serginho e ela só pensava que poderia morrer. Não ali, mas em qualquer lugar, a qualquer momento. A angústia é imobilizadora. Por alguns segundos se esqueceu que existia faculdade, família, trânsito, dinheiro, céu, terra e fixou o pensamento em um amor, ou melhor, no Amor. Este que ela ainda não tinha vivido. Não plenamente. Não de uma maneira que a satisfizesse. Este que transpõe qualquer barreira, diferença ou defeito e sem o qual ela não poderia partir. Daí veio a tranqüilidade: não estaria tão próxima sua morte. Ainda tinha que encontrar esse Amor (se já não o tivesse feito) e ter muito tempo para vivenciá-lo. Ela ganhou 4,5 no trabalho.

quinta-feira, outubro 13, 2005

Porque eu amo o Lulu

- “Eu gosto tanto de você que até prefiro esconder, deixa assim ficar subentendido.”

Subentendido - o que está na mente e não foi expresso. Não foi expresso por um só motivo: medo. Um pouco de timidez também, mas o medo preponderava. Ela até tentava de uma maneira ou outra expressar que gostava dele. Lá nas entrelinhas, de uma maneira bem discreta, só respondendo, monossilábica, quase sussurrando, tentando não deixar nada explícito...esperando, quem sabe, que ele não percebesse. Só que ela tinha medo dela mesma perceber. Tinha medo de gostar DE VERDADE. De dar a cara à tapa, mesmo sabendo que é necessário. Medo de sofrer. Medo não-sei-de-quê. Talvez essas sejam só desculpas e o medo tenha sido infundado. Mas a nossa menina sempre foi assim bem precavida em assuntos amorosos. Ao se atirar num precipício ela precisa ter certeza que tem alguém lá embaixo pra lhe segurar. É fraqueza, covardia. Mas ela é assim.

- “Ele demonstrou tanto prazer em estar em minha companhia que eu experimentei uma sensação que até então não conhecia: de se querer bem, de se querer quem se tem. E ele me faz tão bem, que eu também quero fazer isso por ele.”

Pensou que tinham tantas coisas em comum e que a vida já tinha se encarregado de apresentá-los. Pensou no quanto ele a fazia feliz, no quanto riram naquela vez e quantas outras risadas ainda esperavam por eles. Pensou na sorte que tinha de tê-lo ao seu lado. Pensou que nem todos são iguais. Pensou que enfim se sentia completa ao estar com alguém. Pensou sinceramente que com ele valia a pena se arriscar.

- “Não queria que você me visse tão fraco, mas na verdade eu não quero lhe enganar.”

Ela pensou demais. Os pensamentos se perderam e de repente o que era brincadeira virou sério e o que era sério virou brincadeira. Por um triz ela não jogou tudo pro alto. Por um instante os conceitos de certo e errado se confundiram. E por uma sensatez insistente ela não cometeu um erro. “O erro do ano” - classificaria. Depois ela percebeu que toda a confusão tinha se travado por um motivo de defesa e que o medo voltara a assombrá-la. Sim, nossa menina também tem recaídas.

- “É melhor não resistir, e se entregar.”

Resolveu seguir os conselhos do Lulu dessa vez. Deu certo.

domingo, setembro 04, 2005

Será? Será? Será?

Será que vale a pena abandonar o barco só por pressentir que ele vai afundar?!

1...2...3...o Cacos chegou!

É tinta. Muita tinta. É transformar a Marquês de São Vicente em Marquês de Sapucaí. São latinhas de cerveja embaladas pelo funk. É dançar. É ficar com dor nas costas por causa do elefantinho. É não ter apego a roupas. Nem a cabelos. Nem a nada no seu corpo. É eleger um veterano para por no pedestal e descobrir que todas as meninas concordam contigo. É tomar banho de cachaça e fazer hidratação com confete. É mais tinta. É tirar fotos no brilho. É dar tocos. É cantar aos berros Alcione pela Av. das Américas, na volta pra casa. É fazer da sala de aula uma boate. É ter amigos gays. É dançar com seus amigos gays e não se importar tanto se eles virem mais do que deveriam. Eles são gays. É ouvir mais trocentas vezes : “O que o amor constrói, a Puc destrói.”. É tinta demais.

domingo, agosto 21, 2005

Memória de peixinho dourado

Escova progressiva. Revival com ex-namorado. Depilação. Entregar-se à um novo amor.




Tem certas dores que a gente esquece. Porque se não esquecêssemos não enfrentaríamos de novo.

terça-feira, julho 19, 2005

À mercê

O ciúme parece que não mais me assola
Encontro-me à mercê da liberdade
Me perdendo no eco de suas palavras
Me alimentando das fantasias que despertas
Transpondo as leis que me mantém incólume
Invocando lembranças férvidas
Buscando a satisfação do que não se atém ao puro prazer

Estando livre de tudo que nos prende
Podemos viver a solidão à dois

Encontro-me, dessa vez, à mercê da sua vontade
Assistindo a sua árdua resistência à entrega
Lutando para que seu desejo não esmoreça
Exalando uma inocente malícia
Guiando-te com o movimento dos meus quadris
Gingado que tanto lhe fascina!

Contudo, a intenção que prepondera sobre mim mantém-se incognoscível.


( Texto velho. Nenhuma relação com as condições atuais de vida da minha pessoa. Como a gente se engana! Mas a intenção continua incognoscível...)

Ando meio desligada...

Ando meio perplexa. Ando feliz, é verdade. Bem feliz até. Ando muito sensível a determinadas coisas e totalmente indiferente a outras, como se algo tivesse morrido dentro de mim. Não sei quando foi que tudo começou e menos ainda quando o encanto se quebrou. Ando assim: tão distraída que mal percebo as mudanças pelas quais passo. Só vejo que há alguma diferença quando já estou levando outra vida. É importante que saibam: tenho várias vidas determinadas por fatos marcantes. Como se fossem pequenos ciclos ao fim dos quais eu me recolho e renovo para o próximo. Funciona pra distrair a minha insaciável necessidade de mudança, de conhecer tudo e todos, assumir diversas personalidades e viver tantas experiências quantas forem possíveis. Ando desconfiada que um novo ciclo está começando. Está vindo uma vida novinha em folha por aí. Ando receosa. No inicio é sempre assim. Depois piora: o receio é promovido à certeza. Ando estranhamente obediente e satisfeita. Faço tudo com boa vontade, qualquer prazer me diverte...Eu ando tão fácil. Tão simples. Logo eu que antes cultivava o orgulho de ser complexa, agora me rendo à curtas definições. Eu ando em metamorfose. Daqui a pouco bato as asinhas. As eternas questões que me acompanhavam e a angústia que me tomava tantas vezes deixaram-me ao léu. Não existem mais pontos de interrogação ao final dos meus pensamentos e sentimentos. Isso me assusta. Sim, eu sei que sou muito assustada (ou seria precavida?!). É uma estranha paz que me toma. São muitas certezas me cercando e uma sensação estranhíssima de dever cumprido, encadernado e com nota 10. A prova de que eu acertei nas minhas atitudes é tão evidente que eu temo encarar. No máximo dou uma olhada de rabo de olho. Tudo é tão bom e tão real que parece mais uma das minhas idealizações. Tô feliz pra cacete. Ando muito altista. Fico vagando pelo nada. As letras do livro se embaralham e eu me deixo levar por músicas, cheiros, imagens, lembranças. Ando leve. Preciso de pesos amarrados aos pés para me manter presa nesse mundo, porque estou vivendo em outro que apesar de melhor me deixa mais vulnerável. E eu tenho medo de me expor. Tento me convencer que estou vacinada e mais forte, mas no fundo sei que não estou. Aliás, acho que se tratando de amor nunca estarei suficientemente anestesiada a ponto de realmente não sentir nada. Que bom. Pois não há nada melhor do que sentir. Sentir amor, sentir prazer, sentir dor. “É um sinal que estamos vivos”, disse o outro. Se eu depender do verbo sentir para viver...Vida longa à mim! Ando sentindo muito.

A pior profissão para o mundo

Falem o que quiserem. Contestem bastante mesmo. Nada me convence que exista profissão mais chata do que a de comentarista esportivo. Não pra ele, mas para nós que temos que ouvir tanta besteira mesclada a uma narração que os nossos próprios olhos já fazem ao cérebro sem precisar de voz alguma. E é essa voz desnecessária que tem a função de preencher qualquer espaço de tempo que ainda não tenha sido ocupado por palavras. Talvez isso justifique as toneladas de baboseira que são despejadas nos nossos ouvidos a cada jogo.

É um mais irritante que o outro. O Galvão já levou o troféu de pé-no-saco-que-se-acha-e-não-aceita-opiniões-diferentes-das-dele oficial da seleção brasileira. u a u . Mas irei me dedicar à minha mais recente descoberta: o comentarista dos jogos de vôlei feminino no Gand Prix. Ele é um dos principais concorrentes ao prêmio anual de desajeitado-mor-que-confunde-a-líbero-com-a-ponteira-e-não-sabe-dizer-qual-time-fez-o ponto-nem-porque. E olha que esse prêmio é bem disputado! O que o salvou um pouco foi a presença da Virna, que apesar de sua mania de usar diminutivos com aquelas mulheres de 1,80 (Sheilinha, Fabizinha, Paulinha, Renatinha) e seus incontáveis erros de concordância verbal, entende de vôlei. Ela sabe identificar as jogadoras, faz comentários tecnicamente corretos, usa os termos apropriados. Ufa! Se não fosse sua ilustre participação teríamos que nos contentar em ouvir 10 vezes em cada jogo que a Renata é a jogadora de maior impulsão, e que seu salto chega a 3,05 metros, mas que todas tem muita garra como por exemplo a Jaqueline que sofreu uma contusão e ficou parada por quase dois anos e que apesar do time estar desfalcado porque a Mari operou o ombro e está se recuperando, o Brasil também é o país do voleibol! Coitado, ele tem boa vontade.Tô com essa mania de ter pena das pessoas agora. Não consigo fazer uma crítica sem amenizar a situação do ser que foi posto na berlinda. Mas já estou divagando. O fato é que esse homem (é isso mesmo, nem procurei saber o nome do infeliz), sendo bom ou não, tem a profissão mais odiada pela minha pessoa.

Falem dos violeiros, alpinistas, apresentadores de televisão e de outras figuras pentelhas que estão espalhadas pelo Brasil. Nada se compara ao Comentarista Esportivo Chatonildo da Silva.


A propósito....É PENTA!!!!

sexta-feira, julho 15, 2005

Like that?!

Gosto. Cheiro. Toque. Desejo. Saudades. Nó na garganta. Admiração. Uma pontinha de ciúme. Confiança. Lágrimas. Beleza. Ternura. Atenção. Felicidade. Lembranças. Diálogo.


Um amor te remete a outro, mesmo que sem tanta semelhança. E a comparação só indica a existência de um novo sentimento.



É assim que a gente descobre que gosta de alguém?
Então tá.
Ninguém tinha me explicado ainda.

sexta-feira, julho 01, 2005

Sessão nostalgia

Mais uma vez alguém transcreveu pensamentos e sentimentos meus que tentei entender durante meses. Ana Carolina fez uma música chamada “É mágoa”, e eu acho que ela andou me observando nos últimos tempos pra compô-la. Me seguiu, leu minha agenda, procurou meus rascunhos de cartas nunca entregues, vasculhou meu Word (e olha que isso ninguém faz, meu Word é sagrado), escutou o eco das minhas orações, prestou muita atenção nas minhas palavras e o principal....roubou meu caderno preto e branco! Essa mulher me conhece. Até as metáforas dela são perfeitas! Ela deve ter pensado: “Coitada dessa menina...está sofrendo e nem sabe distinguir os sentimentos. Vou ajudá-la.” Claro que é mágoa. Não é saudade, não é amor, não é ódio, não é tristeza, não é nada senão mágoa. Mágoa de quem está magoado. Faz todo sentido agora. Agora que já passou. Agora que nem sei se adianta saber denominar aquela tempestade. Agora que esse drama já virou piada pro meu coração. Se uma gargalhada sai mais forte às vezes machuca. Mas só de leve. Isso pode não ser muito compreensível pra quem nunca esteve na minha mente e decifrou as intenções dos meus atos. Sei que não é hora de falar de nostalgia. Juro que tenho vários textos arquitetados na cabeça. Várias idéias perdidas ou encontradas, e nunca escritas. Não é crise de inspiração. É um misto de preguiça com preguiça. Tenho essa mania de querer fazer direito, não gosto de sentar e escrever qualquer coisa. Só que me aparecem esses sentimentos sem educação que nem procuram saber se eu os quero por perto, simplesmente me invadem sem pedir licença e vão embora sem dar satisfação. Então eu me rendo e não consigo não registrá-los.

Vamos à musica...



“É mágoa
Já vou dizendo de antemão
Se eu encontrar com você
Tô com três pedras na mão
Eu só queria distância da nossa distância
Saí por aí procurando uma contra mão
Acabei chegando na sua rua
Na dúvida qual era a sua janela
Lembrei que era pra cada um ficar na sua
Mas é que até a minha solidão tava na dele

Atirei uma pedra na sua janela
E logo correndo me arrependi
Foi o medo de te acertar
Mas era pra te acertar e disso eu quase me esqueci
Atirei outra pedra na sua janela
Uma que não fez o menor ruído
Não quebrou, não rachou, não deu em nada
E eu pensei “talvez você tenha me esquecido”
Eu só não consegui
Foi te acertar o coração
Porque eu já era o alvo de tanto que eu tinha sofrido
Aí nem precisava mais de pedra
Minha raiva quase transpassa a espessura do seu vidro
É magoa”


Brigadão, Ana!

sexta-feira, junho 17, 2005

Todo dia ela faz tudo sempre igual...

Não sei o que acontece. Chego, nem largo a bolsa e já aperto o botão pra ligar o Seu Duca. Sento na cadeira sem nem trocar de roupa, ponho a senha no Msn, fecho o ICQ, abro o Word e ao mesmo tempo a internet. 1, 2, 3 e já! Quem abrir primeiro ganha. O Word sempre vence, mas eu acabo roubando para a internet. Nisso o Media Player já toca a trilha sonora do dia...que pode ir de Cazuza até Padre Zeca, passando por Jack Johnson, Jem, Marron 5, Cold Play, Jennifer Lopez e um pouquinho de Moulin Rouge. Depois que eu já consegui entrar no meu fotolog e ler todos os comentários, o bendito Messenger abre. Uma passada de olho pra ver quem está online. O pessoal da PUC abre um chat, com algumas pessoas a conversa se limita às novidades e à falta delas e com outras os papos rolam cada vez mais fluentes. Mais alguns minutos e vamos nós! Checando os e-mails e dali entrando no Orkut (porque sempre tem e-mail do Orkut). Enquanto espero o segundo programa mais lerdo do dia, dou uma olhada no horóscopo. É. Quase todo dia. Mesmo que quase nunca tenha a ver, eu sempre leio com a maior curiosidade do mundo. Deplorável, mas é a verdade...
Passada a euforia inicial, vago por blogs e alterno as respostas do Msn com os comentários em outros fotologs. Isso tudo tentando não cometer nenhuma gafe diante da Web Cam. E ainda tendo que abrir a janelinha que pisca freneticamente pra ler coisas como: “Porque você fez essa cara?!” e não ter a menor idéia de que cara é essa.
E o Word nisso tudo?! Está lá quietinho. Só depois de muito tempo perdida nesse mundo virtual lembro-me dele. Começo uns textos, termino outros, releio poemas e.....claro! O Photoshop! Sempre é o último. Escolho uma entre as 3642813469 mil fotos, uma “iluminação” aqui, um “aguçar” ali e...prontinho! Vamos postar! Dá erro. Normal. Na segunda ou terceira tentativa vai. À essa altura do campeonato, o chat da PUC está bombando, mais de dez pessoas que nem se conhecem ainda teclam sem parar. Como de costume, eu me perco nos assuntos e demoro mais para responder à todas as outras pessoas.

Internet cortada por volta das 11 horas. Mesmo assim me mantenho leal ao Seu Duca e se o sono me faltar até jogo paciência.

No dia seguinte, chego, nem largo a bolsa e já aperto o botão pra ligar o Seu Duca...

segunda-feira, junho 13, 2005

Pro dia nascer feliz

Está tarde. Difícil de escrever. Impossível de dormir. Estou pensando em tantas coisas ao mesmo tempo, que mal consigo identificá-las. Me sinto a pior das escritoras (como se eu fosse uma!) e a mais feliz das pessoas. Tem horas que palavras não bastam. Vou além...elas faltam.

Agora eu podia estar cega, gorda, surda, com uma verruga na ponta do nariz que ia estar sentindo a mesma coisa. Cara...que bom que eu tenho coração! Nunca pensei nisso. Ter coração é tudo! Não só pela função vital, mas por possibilitar toda essa emoção, por disparar, por sentir. Estou sentindo demais...só não sei exatamente o que, mas estou. (lágrimas correm...correm...e correm....). Estou num estado no qual poucas vezes na vida estive. Fico ouvindo a mesma música – The blower’s daughter, Damien Rice, claro! - 599 vezes seguidas, estática, viajando num imenso nada, pisando em nuvens, sem fome, sem sede, com frio, estática.....já mencionei que eu estou estática?! Já, Tati, presta atenção. São 4:57 da manhã e eu aqui que nem um zumbi em frente ao Seu Duca sem escrever nada de muito produtivo. Me afogando em sensações quase desconhecidas. Esperando os primeiros raios solares atravessarem a cortina, pelo simples prazer de ver esse dia nascer.

A causa disso tudo? Hoje, em meio a um período de bonança, bateu uma emoção verdadeira ao lembrar quantas mudanças tem ocorrido nessa onda de “benção sobre benção”. De uns tempos pra cá ganhei “fãs” aleatórios, encantados pela minha desenvoltura verbal, corporal e intelectual. Distraída, eu passei de uma menininha tímida a uma aspirante à “publicitária muito promissora”. Comecei a escrever, e mais, gostar do que eu escrevo. Gostei mais ainda de ler. Ganhei um pouquinho de inteligência emocional. Adquiri um bom nível de conhecimento musical. Fiquei mais amiga. Estive mais presente. Fui mais paciente. Pra completar, comecei a namorar nos primeiros minutos do dia dos namorados e de um jeito que eu sempre sonhei. Mas bateu também uma dorzinha de imaginar que as coisas vão mudar, e talvez muito, daqui a uns meros 60 dias. Minha vida é feita de fases - em grande medida involuntárias - de convivência com grupos de pessoas efêmeros. (Talvez a vida de muita gente seja assim, mas esse é um traço permanente na minha.) O fato é que algumas mudanças implicam em separações. Eis a minha fraqueza. Eu me apaixono facilmente e simplesmente não desapaixono. Esse verbo nem existe no meu vocabulário (se é que ele existe em algum). Porque eu me apego muito e me desapego pouco. Para alguns pode ser difícil esse afastamento nos primeiros dias, mas para mim é difícil “ad eternum”. Por mais que não nos falemos, não esqueço da amiga do colégio, da turma de vôlei, da amiga de Minas, da que mudou pra Londres, da que aparentemente se esqueceu de mim, do primeiro namorado, das crianças da Bahia, e de tantas outras pessoas...Todos são importantes. O passado, para mim, não passa. Ele fica guardado num universo paralelo aqui dentro, com um carinho muito grande por esses que, às vezes sem saber, transformaram minha vida nas pequenas coisas e me construíram como sou (seja isso bom ou ruim). É piegas, mas é verdade. Qualquer forma de amor é piegas.

São 5:42 e eu falando que qualquer forma de amor é piegas. Isso dava uma música. Sério mesmo. Ah....se eu tivesse o dom do Cazuza em transformar tão bem sentimentos e pensamentos em belas letras musicais teríamos uma nova canção à essa hora. Talvez assim tenham surgidos clássicos como “Eu preciso dizer que eu te amo”...


“Quando agente conversa
Contando casos, besteiras
Tanta coisa em comum
Deixando escapar segredos
Eu não sei em que hora dizer
Me dá um medo
Eu preciso dizer que te amo
Te ganhar ou perder sem engano”


Talvez.
6:34
Amanheceu enfim!
Continuo estática.
Depois eu publico isso...Bom-dia!

sábado, junho 11, 2005

A impontualidade do amor

"Você está sozinha. Em frente a tv, devora dois pacotes de Doritos enquanto espera o telefone tocar. Bem que podia ser hoje, bem que podia ser agora, um amor novinho em folha. Trimmm ! É a sua mãe, quem mais poderia ser ? Amor nenhum faz chamadas por telapatia. Amor não atende com hora marcada. Ele pode chegar antes do esperado e encontrar você numa fase galinha, sem disposição para relacionamentos sérios. Ele passa batido e você nem aí. Ou pode chegar tarde demais e encontrar você desiludido da vida, desconfiado, cheio de olheiras. O amor dá meia-volta volver. Por que o amor nunca chega na hora certa ?

Agora, por exemplo, que você está de banho tomado e arrumada. Agora, que você está se achando bonita. Agora, que você está empregada. Agora, que você pintou o apartamento. Agora, que você começou a gostar de jazz. Agora, que você está com o coração às moscas e morrendo de frio.

O amor só aparece quando menos se espera e de onde menos se imagina. Você passa uma festa inteira hipnotizada por alguém que nem lhe enxerga e mal repara em outro alguém que só tem olhos para você. O amor é que nem uma tesourinha de unha, nunca está onde a gente pensa. Seu amor pode estar no corredor de um supermercado, pode estar impaciente na fila de um banco, pode estar pechinchando numa livraria, pode estar cantarolando sozinho dentro de um carro. Ou pode até estar do seu ladinho, só esperando uma chance de te mostrar o valor do amor........o amor está em todos os lugares, você que não procura direito.

A primeira lição está dada: o amor é onipresente. Agora a segunda : ele é imprevisível. Jamais espere ouvir "eu te amo" num jantar à luz de velas, no dia dos namorados. Ou receber flores logo após a primeira transa. O amor odeia clichês. Você vai ouvir "eu te amo" numa terça-feira, às quatro da tarde, depois de uma discussão. As flores vão chegar num dia qualquer apenas para informar-lhe como você é especial para alguém . Assim, sem um motivo ou data especial."

PS: não sei de quem é esse texto, mas se estiver sem dono eu tô adotando...

Desabafo (ufa!)

Às vezes mal acredito que vivo nesse mundo. Esse que se alimenta da conveniência e mata a sede em rios de dinheiro. É, esse mesmo, que respira futilidade e sonha com paraísos fiscais. Mundinho medíocre. E pessoas não muito diferentes. Preguiçosas, egoístas, alienadas. Pessoas cujos valores são superficiais. A aparência vale o desejo, o dinheiro vale o poder e o sentimento e o caráter ficam pra depois...

Os ricos vivem de lavagem de dinheiro, golpes, corrupção, acordos e mais acordos e se mantém impunes. Mas se o Zé roubar um pacote de biscoito no supermercado, está preso sem nem pestanejar! Dá pra acreditar num mundo que funciona assim? Injusto demais, desigual demais.

Isso sem falar nas atrocidades. Homicídios, assaltos, seqüestros e estupros compõem o grupo de pequeno porte. É, pequeno porte. Porque grande mesmo são os genocídios, chacinas e atentados. A violência já é uma constante, mas mesmo assim não consigo digeri-la. Como alguém pode puxar um gatilho e matar outra pessoa? Eu não entendo.

Aliás, há muito nesse mundo que não entendo. É inexplicável a capacidade do ser humano de ser indiferente. Indiferente à necessidade alheia, ao amor alheio, à tudo que lhe for alheio. Essa gente está preocupada mesmo em esbanjar sua grana e seguir a moda. Eis outra coisa que não me entra na cabeça, essa tal de moda. A cada estação homens e mulheres renovam seus guarda-roupas, com novas cores, tecidos, modelos. Pra que mesmo? Mudar? Mas convenhamos que a moda de vez em quando é de péssimo gosto. Quanto à atual mesmo, acho que minha avó se vestia melhor. Mas mesmo que não goste da mudança a gente tem que segui-la? Quer dizer que eu tenho que comprar uma bota horrorosa de camurça rosa-choque com bolinhas verde-água até o joelho porque tá na moda? É isso mesmo? Dai-me paciência...

E olha que paciência é algo em extinção nesse mundo. As pessoas correm o tempo todo, para todos os lugares, fazem tudo ao mesmo tempo. Os seres humanos funcionam na velocidade dos computadores, da internet, dos celulares, da televisão. E pior, estão aplicando o ritmo da tecnologia para seus relacionamentos. Namoros e casamentos são feitos e desfeitos enquanto você vira as páginas da “Tititi”. Na verdade os dias estão mesmo mais curtos (cientificamente comprovado) e conseqüentemente os anos estão passando mais rápido. Talvez isso justifique um pouco a pressa. Mas a falta de paciência não deriva somente da falta de tempo. Quantas vezes a secretária do médico te atendeu muito mal e porcamente, como se estivesse atrasada para algum compromisso importante e não saiu da cadeira? É má vontade mesmo...tem gente ruim, tem gente mal-humorada, gente estressada então é o que mais tem. Todo mundo se julga estressado hoje em dia. É a “doença” da moda (olha ela aí de novo!). Até cachorro sofre de estresse agora! Um mundo onde animal tem esse tipo de problema não pode ser levado à sério.

Ninguém pode ser levado à sério mais. As pessoas fazem juramentos que em pouco tempo são invalidados por simples mudanças de opinião. Todos são inconstantes e insatisfeitos. A vida nunca está boa. São reclamações infinitas e muitas vezes infundadas. O chefe aumentou o salário, mas bem que podia ter sido mais. Eu tenho olhos azuis, mas queria mesmo é que o meu cabelo fosse liso. O Ubaldo me deu flores hoje, mas custava muito dar um cartão junto?! Quando se acrescenta ingratidão então, tudo fica mais difícil.

Mas o difícil mesmo é viver num mundo perigoso onde tudo soa falso, conviver com pessoas tão incrédulas e se manter ileso. Ah, se não fosse o amor para adoçar essa mistura...

sábado, junho 04, 2005

Fernando Pessoa

“ Procuro dizer o que sinto
Sem pensar em que sinto.
Procuro encostar as palavras à idéia
E não precisar no corredor do pensamento.
Nem sempre consigo sentir o que sei que devo sentir.
Procuro despir-me do que aprendi,
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,
Desembrulhar-me e ser eu!
E assim escrevo, ora bem, ora mal,
Caindo aqui, levantando-me ali,
Mas indo sempre no meu caminho como um cego teimoso”

Escrito por Fernando Pessoa e editado por Tati...porque eu não consigo não adaptar seus poemas só para falar que são perfeitos pra mim.

quinta-feira, junho 02, 2005

Gerúndio

Ouvindo: Por onde andei, Nando Reis.
Dormindo: Menos que o suficiente.
Comendo: Balas diet. Chicletes diet. Frutas. Saladas. Além de arroz, feijão, pizza, pipoca, chocolate e tudo o que engorda.
Comprando: Absolutamente nada.
Procurando: Dinheiro.
Lendo: “Na toca dos leões”,“Ator errante”, revistas, fotologs, blogs, placas, legendas, qualquer aglomeração de letras.
Amando: Meus amigos.
Fingindo: Ser saudável.
Ignorando: Futebol, com todas as minhas forças (inclusive o Fla-Flu)
Rindo: Dessa tal de Tati e suas respectivas trapalhadas.
Sentindo: Saudades.............
Chorando: Nem em filmes.
Desejando: Casar, ter dois filhos e um emprego decente (daqui a 6 anos).
Estudando: N-A-D-A
Sonhando: Sempre, sempre e sempre, com qualquer coisa.
Planejando: Viver sem planejar.

Dia dos namorados

Tudo que eu queria nesse dia era ser raptada. Ser levada por alguém que estivesse interessado em ouvir todas as minhas histórias. Que esse alguém me levasse pra bem longe, de preferência pra um lugar onde o celular nem pensasse em pegar. Que nesse lugar estivesse chovendo muito, que fizesse frio e não desse nem pra pensar em sair de lá. Que a dispensa estivesse cheia de coisas gostosas como fondue, chocolate, vinho e coca-cola. Que tivéssemos crises de riso, segredos revelados e olhares trocados. Que tirássemos fotos engraçadas e sonhássemos juntos. Que pudéssemos dançar. Dançar muito. Que existisse só nós dois por um dia.


Será que eu to querendo muito?


Que aconteça, então, o milagre da multiplicação de “Rodrigos Santoros” pra eu namorar um deles até lá...


Caso tudo falhe, quero sair com quem prometer não falar sobre amor ou qualquer coisa fofa. Que os casais apaixonados saiam da frente. E tenho dito.

quarta-feira, junho 01, 2005

Shall we dance?

O que é o Richard Gere nesse filme subindo a escada rolante de terno, com uma rosa vermelha na mão e aquele sorrisinho de “sou todo seu, meu amor” ?!

m e o d e o s

Eu precisaria de dez vidas pra conseguir escrever a respeito disso. Então vou me ater ao fato de que o cara não é bonito. Não, num é. Ele é velho, tem cabelos grisalhos, olhos pequenininhos, não é alto nem forte. Então, qual é o motivo do alvoroço?! É o charme! É a roupa, a situação, o jeito, a voz, o olhar, o sorriso, o conjunto. Richard Gere é charmoso! E o mais difícil: sem ser bonito.

Bonito é o Rodrigo Santoro...alto, forte, morenão. Brad Pitt?! Tá mais para “BREAD” Pitt. Loirinho, lindinho, muito inho. E Thiago Lacerda com seus 1,90m, olhos verdes, sobrancelhas grossas, rosto que mais parece uma pintura...tem como ser melhor?! Contudo, ainda prefiro o Richard Gere, com suas madeixas grisalhas, olhinhos pequenos, sua altura mediana e todo o seu charme de brinde.

Pra começar, essa beleza estonteante chama muita atenção e causa alguns problemas. A capa de “Caras” é Gianechhini, cabelinho arrepiado e lisinho, olhos marcantes, sorriso perfeito, com a camisa meio aberta, tendo como cenário uma praia paradisíaca acompanhado pela frase em letras garrafais: “NÃO ME ACHO BONITO”. Tá de sacanagem...ou ele não tem espelho, ou usou uma falsa modéstia, ou ainda, quis dizer que todas as outras pessoas sofrem de feiúra aguda, porque se ele não é bonito, quem é?! Não adianta, o cara sabe que tem um diferencial na aparência. Tem que se achar. Agora, se o Richard Gere declara que não se acha bonito, morreu neves. Ele não é mesmo.

Outra, ter traços bem desenhados não implica em ter charme. Quantos rostinhos angelicais tem por aí sem graça nenhuma?! Charme é atitude, presença...e muito pessoal! Às vezes eu tô aqui enchendo a bola do meu coroa preferido e tem gente aí achando ele um caco. Acontece. Já ouvi dizer até que o Lula é charmoso.

É muito difícil conceituar beleza, charme, o que é e o que não é atraente numa pessoa. Mas ainda acho que a beleza de Afrodite não é fundamental. Fundamental é charme, cheiro, leveza, doçura, encanto. Fundamental é o Richard Gere.


Yes, we shall.

domingo, maio 29, 2005

O romantismo é a melhor imbecilidade que existe

Andei pensando nessa falta que um amor realmente faz. Tentei encontrar um gesto, um ato que simbolizasse com simplicidade o amor que tanto procuramos. Sei lá, uma dessas coisas de casais apaixonados que fazem os solteiros cansados de farra engolirem seco e desviarem o olhar como que percebendo o vazio em seu próprio peito. Quem não repara naquele casal no bar na noite de segunda-feira? Mãos dadas, beijos doces pontuando a noite, a coxa dela jogada por cima da dele por debaixo da mesa... Símbolos não decretados de uma cumplicidade, mesmo que ainda em construção. Existe ali pelo menos a vontade de estar juntos. Quantos podemos falar assim? Somos um exército de sozinhos enfrentando a rotina.

Já não sei mais o que é chegar ao fim de um dia longo, cansado e cinza, e receber um telefonema daquele alguém especial, dizendo que também está morto de exaustão, mas que por estar passando por perto, queria que eu descesse até a portaria só pra me ver e roubar um único beijo antes de se entregar à Morfeu.

Já não sinto mais aqueles abraços totalmente confortáveis que parecem terem sempre existido, nas escadas rolantes de shoppings. Já não sei o que é sorrir quando toca o celular e aparece no visor que é ele que chama. E já nem lembro daquele risinho no canto da boca que mal conseguimos esconder toda vez que falam o nome do seu amor.

Viver com alguém, meio que para alguém. Acho que nem sei mais como isso é. Todo mundo cheio de defesas, cheio de pés atrás, cheio de travas e alarmes prestes a disparar. Se me forço e relaxo (que paradoxo, né?), consigo recordar as pequenas coisas que fazemos quando temos alguém na cabeça. Aquela vontade de ver, de estar junto e descobrir mais e mais. As pequenas conquistas diárias, os ciúmes infundados e saudáveis, aquele gostinho de se sentir especial para uma pessoa.

Será que alguém vai me deixar ser romântica de novo? Será que alguém vai me interromper quando eu estiver falando algo quase sem importância só pra me dar um beijo? Será que eu ainda vou atender o telefone e ouvir “liguei só pra dizer que eu te amo”?

Não sei. Juro que não sei. Procuro não pensar nisso, mas meu coração me sussurra que isso faz falta. Faz falta só pensar nele, faz falta ter pra quem voltar depois da festa, faz falta ter quem cuide de mim quando estou doente (que não seja minha mãe) . Faz falta alguém, mesmo que por telefone, me desejando uma sincera boa noite, que durma com os anjos e sonhe com ele.

Não quero parecer um cachorro caído do caminhão de mudanças emocionais. Andei por shoppings, perambulei por bares, reparei nas cenas mais banais das ruas. Sei bem que um amor, uma paixão altera nosso estado de espírito, faz lembrar que podemos ser tolos, que esquecemos que um dia nos disseram que nunca poderíamos voar. E isso faz falta.

Eu já tive tudo isso, fui vítima, talvez um experimento dessas emoções. Fui bradada com todos esses pequenos detalhes, vivi essa coisa de achar bilhetes de amor no meio de um caderno, de levar um susto por ele no meio do filme de terror e ouvir o quanto eu sou medrosa, sabendo que no fundo ele adora fazer o papel de protetor e corajoso. Sei que declarações apaixonadas sob a luz da lua e beijos seculares não são privilégios de astros de novelas de horário nobre.

Tentei, mas não consegui achar as prováveis estátuas que ornamentam um amor que valha a pena. Quem souber ou puder arriscar, que me diga, que me aponte os caminhos, os inevitáveis marcos que um amor estabelece.


[Autor Desconhecido]

sexta-feira, maio 27, 2005

Fútil ?!

Confesso que não ando muito preocupada com os meninos de rua jogando bolinhas no sinal. Nem dando muita atenção aos noticiários que mostram cenas chocantes de grandes perdas...perdas de casas, pessoas, vidas. Pra falar a verdade, troco de canal. São tsunamis, enchentes, secas, atentados, violência. E eu aqui, linda e loira, com meu excesso de umbiguismo...azucrinando Deus com as minhas rezas pra não chover no feriado, arrancando os cabelos por causa das provas, perdendo horas de sono porque achei que o “Ubaldo” tava meio estranho hoje comigo...será que ele quer terminar? Será que tem outra? Isso sem contar no tempo que gasto programando dietas e ginásticas abandonadas na segunda semana. Claro que na volta da festa eu me sensibilizo ao ver uma família dormindo no chão...mas não deixo de reclamar que meu pé ta doendo horrores por causa do salto alto.


E por incrível que pareça isso não me torna uma pessoa má...talvez acomodada como tantas outras e cansada de me esforçar pra fazer alguma mudança significante. O meu consolo e ilusão é que a idade me limita...


É assim [agora]

Mil

És mil aos meus olhos
Tens mil facetas!
Não aprecio essas mil que se mostram
Mas sou capaz de amar-te mil vezes na mesma
E abdicar de meu próprio gosto e julgamento
Para adaptar-me às outras.

terça-feira, abril 19, 2005

Espelho

Eu sou assim, muito chata e esquecida. Esqueço tudo, quem ligou, porque que saí do meu quarto e fui até a sala e me acho uma idiota por causa disso. Anoto um recado e esqueço de entregar. Às vezes lembro, mas só às vezes. Só tenho memória pra detalhes inúteis, que pra mim são essenciais. Lembro a roupa que eu estava usando a primeira vez que saí com ele, a segunda vez que saí com ele, e até a última. Lembro também de músicas, o tempo todo. Me encontro em situações que poderia citar uma música inteira pra pessoa com quem estou conversando. Poderia citar frases, refrões sem dar maiores explicações de onde tirei aquilo tudo, mas se a outra pessoa não tiver a mais vaga idéia do que estou falando, com certeza vou ficar vermelha e gaguejar, então apenas converso, e guardo aquela música pra mais tarde escrever no caderno. Reparo muito nas pessoas, nas suas histórias, modos de pensar, vestir, agir, suas vozes e formas...como se fossem todos pacientes que estão sob a observação e análise da psicóloga aqui. O problema é que me envolvo demais...a ponto de já ter comparado a minha vida a um filme onde eu mesma não estou. Sou tão exigente e crítica com tudo, que raramente gosto de um trabalho que eu faço, começo logo apontando os defeitos, os erros e coisas que só eu consigo ver. É, além de tudo eu sou implicante e cri-cri. Se vejo um cara usando meias até a canela já me dá coceira. Pochete e bermuda jeans também são dois acessórios que condeno ardentemente e já nem quero conhecer uma pessoa que use essas coisas. Uma vez me distraí e conheci um cara que usava aquelas calças de tecido sintético que mais parece saco plástico e me apaixonei muito seriamente por ele. E, sacana como sou, ri bastante quando, ele, ao se sentar, rasgou a bendita calça. Uma coisa que você tem que saber: eu me distraio e me apaixono todo dia. Eu vou andar cantarolando e perco a rua que tinha que entrar, então tenho que dar uma volta, e não acho mais meu caminho. Me perco até em shopping. E me apaixono mesmo, quantos paixões despertadas apenas por uma conversa, quantas vezes já chorei por perder homens da minha vida, e quantos ainda virão. Foi assim com o cara da calça, com o cara do colégio, com aquele outro, com o ex-namorado então, ainda é um pouco. Pra mim, amor e paixão são coisas diferentes. Mas por esse último eu me apaixonava todo dia, cada vez que ele sorria pra mim, me olhava com aquela carinha linda, ou mesmo porque sabia que ele existia. Uma confissão: eu sou romântica e ingênua. Muuuuuuito romântica. Descobri isso agora. Adoro receber flores e carinho, e não vivo mais sem uma declaração de amor de vez em quando. Isso me alimenta quase tanto como chocolate. Eu sou chocólatra, fique sabendo. E muito preguiçosa, tão preguiçosa que chega a ser irritante. Tenho idéias que não uso, tenho vontades que não faço, tenho sonhos que não realizo, por pura preguiça, talvez meu pior defeito. Tenho defeitos horríveis que tento esconder, mas que sempre aparecem por causa da minha distração com tudo. Tenho mania de mudar...mudar tudo. A cor do meu quarto, a estação do rádio do carro (o que irrita qualquer um com mais de quarenta anos), o corte de cabelo, mudo até as minhas próprias manias. Coleciono amigos, gosto muito de pessoas e guardo as que tenho com muito cuidado. Adoro ficar sozinha, passar muito tempo comigo...Se um dia eu desaparecer é porque estou me conhecendo mais e posso passar vários dias assim. Não se preocupe. Sou bastante desorganizada, meu quarto é uma bagunça. Minhas gavetas também. Deixo ficar tudo uma zorra pra depois arrumar de uma vez só. Aliás...tenho esse costume. Esperar as coisas ficarem em estado lastimável para resolver consertar...computador, som, relacionamentos, eu. E sou consumista, meus sapatos não cabem mais no meu armário. Sou velha quase sempre. Dispenso festas e badalações por um bom filme, sou capaz de passar o fim de semana rodeada de DVDs, estatelada no sofá. Sou filme-maníaca, não esqueça disso. Sou sonhadora também, demais. Imagino coisas, situações, diálogos que nunca vão acontecer. Isso acontece quando vou dormir, hora em que não consigo parar de pensar em tudo. Levanto mil vezes antes de conseguir finalmente fechar os olhos, pra separar coisas que tenho que levar no dia seguinte, pra anotar algo importante que não posso esquecer, pra escrever alguma coisa que pode ser o começo de um texto qualquer, então deito a cabeça no travesseiro. E boa noite. Sou dorminhoca pra caramba quando não estou sob tensão emocional. Durmo muito, horas e horas, oito pra mim não são suficiente. E escrevo demais, tenho tantos cadernos e agendas e diários que parece que nunca acaba, as palavras vão saindo, saindo, saindo e quando vejo to escrevendo sem parar. Tenho uma grande dificuldade em simplificar as coisas....esse texto, por exemplo, poderia ter sido escrito somente com as palavras em negrito. É que eu me empolgo às vezes. Viajo quase sempre... Eu sou assim. Queria ser mais.

segunda-feira, abril 04, 2005

Desconfio que nasci no século errado...

Queria viver naquele tempo em que nem tudo era tão explícito

onde as donzelas eram inatingíveis
e os amores impossíveis
onde os olhos se tornavam bocas
onde a pele exalava paixão por todos os seus poros
onde o cheiro era mais doce
os corações mais acelerados
e as lágrimas menos contidas

onde as músicas mais sentimentais embalavam cenas mais românticas
onde se vivia para sonhar com um príncipe encantado
e se apaixonar ...
onde sofrer por amor era sublime
e não condenado
onde as juras eram mais verdadeiras
e as declarações mais fervorosas
onde os poetas eram mais inspirados
e o tempo passava mais devagar...


Tem dias que só o que eu precisava era da minha imaginação e da brisa...

quinta-feira, dezembro 02, 2004

Drogas, nem morto!

Depoimento emocionado de Luiz Fernando Veríssimo sobre sua experiência com as drogas...

“Tudo começou quando eu tinha uns 14 anos e um amigo chegou com aquele papo de "experimenta, depois quando você quiser é só parar..." e eu fui na dele. Primeiro ele me ofereceu coisa leve, disse que era de "raiz", da terra, que não fazia mal, e me deu um inofensivo disco do Chitãozinho e Xororó e em seguida um do Leandro e Leonardo. Achei legal, uma coisa bem brasileira; Mas a parada foi ficando mais pesada, o consumo cada vez mais freqüente, começei a chamar todo mundo de "amigo" e acabei comprando pela primeira vez. Lembro que cheguei na loja e pedi: - Me dá um CD do Zezé de Camargo e Luciano. Era o princípio de tudo!

Logo resolvi experimentar algo diferente e ele me ofereceu um CD de Axé. Ele dizia que era para relaxar; sabe, coisa leve... Banda Eva, Cheiro de Amor, Netinho, etc. Com o tempo, meu amigo foi me oferecendo coisas piores: é o Tchan, Companhia do Pagode e muito mais. Após o uso contínuo, eu já não queria saber de coisas leves, eu queria algo mais pesado, mais desafiador, que me fizesse mexer os quadris como eu nunca havia mexido antes. Então, meu amigo me deu o que eu queria, um CD do Harmonia do Samba. Minha bunda passou a ser o centro da minha vida, razão do meu existir. Pensava só nessa parte do corpo, respirava por ela, vivia por ela! Mas, depois de muito tempo de consumo, a droga perde efeito, e você começa a querer cada vez mais, mais, mais... Comecei a freqüentar o submundo e correr atrás das paradas.

Foi a partir daí que começou a minha decadência. Fui ao show e ao encontro dos grupos Karametade e Só Pra Contrariar, e até comprei a Caras que tinha o Rodriguinho na capa. Quando dei por mim, já estava com o cabelo pintado de loiro, minha mão tinha crescido muito em função do pandeiro. Meus polegares já não se mexiam por eu passar o tempo todo fazendo sinais de positivo. Não deu outra: entrei para um grupo de pagode. Enquanto vários outros viciados cantavam uma música que não dizia nada, eu e mais outros 12 infelizes dançávamos alguns passinhos ensaiados, sorríamos e fazíamos sinais combinados. Lembro-me de um dia quando entrei nas lojas Americanas e pedi a Coletânea "As melhores do Molejo". Foi terrível!! Eu já não pensava mais!!! Meu senso crítico havia sido dissolvido pelas rimas miseráveis e letras pouco arrojadas. Meu cérebro estava travado, não pensava em mais nada. Mas a fase negra ainda estava por vir.

Cheguei ao fundo do poço, ao limiar da condição humana, quando comecei a escutar popozudas, bondes, tigres, MC, Serginho, Lacraias, motinhas e tapinhas. Comecei a ter delírio e a dizer coisas sem sentido. Quando saía à noite para as festas, pedia tapas na cara e fazia gestos obscenos. Fui cercado por outros drogados, usuários das drogas mais estranhas que queriam me mostrar o caminho das pedras... Minha fraqueza era tanta que estive próximo de sucumbir aos radicais e ser dominado pela droga mais poderosa do mercado: Ki-Kokolexo.

Hoje estou internado em uma clínica. Meus verdadeiros amigos fizeram a única coisa que poderiam ter feito por mim. Meu tratamento está sendo muito duro: Doses cavalares de MPB, Bossa-Nova, Rock Progressivo e Blues. Mas o médico falou que eu talvez tenha de recorrer ao Jazz, e até mesmo a Mozart e Bach.

Queria aproveitar a oportunidade e aconselhar as pessoas a não se entregarem a esse tipo de droga. Os traficantes só pensam no dinheiro. Eles não se preocupam com a sua saúde, por isso tapam a visão para as coisas boas e te oferecem drogas. Se você não reagir, vai acabar drogado, alienado, inculto, manobrável, consumível, descartável, distante. Vai perder as referências e definhar mentalmente. Em vez de encher a cabeça com porcaria, pratique esportes e, na dúvida, se não puder distinguir o que é droga ou não, faça o seguinte:

* Não ligue a TV no domingo à tarde;
* Não escute nada que venha de Goiânia;
* Não entre em carros com adesivos "Fui.....";
* Se te oferecerem um CD, procure saber se o indivíduo foi ao programa da Hebe e/ou ao Sabadão do Gugu;
* Mulheres gritando histericamente são outro indício;
* Não compre um CD que tenha mais de 6 pessoas na capa;
* Não vá a shows em que os suspeitos façam passos ensaiados;
* Não compre nenhum CD em que a capa tenha nuvens ao fundo;
* Não compre nenhum CD que tenha vendido mais de um milhão de cópias no Brasil
* Não escute nada em que o autor não consiga uma
concordância verbal mínima.

Mas, principalmente, duvide de tudo e de todos.A vida é bela!!! Eu sei que você consegue!!! Diga não às drogas!!”


Hiauhiauhiauhiau...genial!



domingo, novembro 28, 2004

Luz....camera....ação....(vivendo!)

Minha imaginação é exageradamente fértil. Hj eu fui capaz de acordar e permanecer na cama de olhos fechados para acabar de inventar o meu sonho interrompido pela luz do sol (Sim...porque a cortina está lavando...).E eu fiquei horas bolando a continuação desse sonho. O protagonista dele é alguém com quem não sei se ainda vale a pena sonhar, pois já está longe de mim o suficiente para nunca mais voltar. E o pior é que eu sonhei com o que já aconteceu, ou melhor, sonhei com o que poderia ter acontecido, do jeito que eu queria, onde eu queria....eu reinventei o meu passado. E confesso que não foi a primeira vez que isso acontece. Inúmeras vezes já pensei em situações e diálogos que eu gostaria que tivessem sido reais. Essa minha criatividade tem um preço alto a ser pago. Porque quanto mais eu sonho, mais esse assunto se autoafirma como meu foco e mais eu sofro. Imaginar esse caso de amor como um filme, com direito à cenas de carinho, de declarações, de trocas de olhares, abraços e beijos com um fundo musical, só aguça a minha vontade de viver isso tudo, mesmo que não seja tão perfeito como é nas telas dos cinemas.

Ao mesmo tempo, me sinto muito atriz de Hollywood, quando tenho esses momentos sonhadores e reflexivos. É um tudo de bom tirar alguns minutos do seu dia para sonhar com as coisas do jeitinho que você sempre quis que elas fossem. É bem típico daquele personagem que está no meio do trabalho, de repente olha para a janela e começa a pensar sobre a vida e relembrar do passado até chegar numa decisão séria a ser tomada. Então ele tem aquele impulso, pula da cadeira, vai embora do escritório (claro que ninguém se importa dele sair no meio do expediente...) e finalmente conta à mulher que a traiu, ou que descobriu que a ama, ou ainda resolve pegar o carro e ir atrás da moça que está quase embarcando no avião, para fazer-lhe uma declaração....claro que ele chega a tempo, mesmo tendo saindo 7:01 para o vôo que era 7:00. No nosso mundo não temos tempo pra isso, sabemos que refletir não garante o salário no final do mês, não faz nenhum estudante passar de ano e que no final das contas as coisas não dão tão certo assim. Contudo, de vez em quando é bom nos darmos a esse luxo. Faz bem avaliarmos nossos atos e os dos outros com calma, entender o que se passa, analisar os fatos. Realizar sucessivas ações e achar que isso é viver é pior do que levar a vida como uma eterna gravação. Temos que nos conscientizar, sofrer, amar, pensar, falar, idealizar, programar, realizar.....e principalmente...sentir! Se não sentirmos, de nada valerá o que estamos passando.

E eu ainda não achei uma aplicação útil para essa minha imaginação fértil....

Minha doença

Tenhu uma doença. Ainda não descobri seu nome...Uns chamam de sentimentalismo, dramaticidade, outros de depressão e alguns falam convictamente que é TPM. Discordo das três denominações....mas ainda não tenho a minha. Acho mais importante conhecê-la do que dar-lhe um nome. Então procurei me informar sobre a bendita (ou maldita?!). Descobri sua procedência. Ela é causada por sentimentos e sensações fortes. E talvez médias também. É agravada por umas doses de álcool (após algum tempo de efeito deste) e qualquer tipo de chocolate. Ah sim....algumas vezes uma música é suficiente pra provocá-la. Diria que essa doença é passageira mas não necessariamente ligeira, ou até que é do tipo que se instala definitivamente no organismo mas que se evidencia com a ação dos fatores acima.

O importante é que descobri seu remédio....escrever! Como todo bom medicamento causa efeitos colaterais. Como geralmente os comprimidos são tomados à noite, há algumas madrugadas passadas em claro, como esta. Pode-se desenvolver um interesse maior pela leitura....de futilidades, notícias e até de clássicos. Caso haja divulgação do que se escreve, há chances de surgirem elogios e também críticas...mas diria que o primeiro é mais comum.

Há uma grande probabilidade do doente julgar não saber se medicar da melhor forma, e de descobrir com o tempo. E é exatamente o que eu espero que aconteça comigo. Não sei como nem por onde começar a escrever. Sei que é eficaz na cura dessa "doença". Por isso resolvi criar esse blog. Para ninguém ler. Pelo menos por enquanto, já que ainda estou meio perdida nesse mundo das palavras. Mas para me ajudar, me aliviar e quem sabe até descobrir que escrever é mesmo o meu melhor remédio e prazer. Fato da qual já desconfio que seja verdade.

O ministério da saúde adverte : o uso desse medicamento gera dependência.