quarta-feira, agosto 01, 2007

No fim da estrada sem fim



Só queria andar em uma estrada sem fim. Onde tivessem muitas árvores e montanhas ao redor. Queria que fosse dia. Não passariam carros nem pessoas e o sol seria a melhor companhia. A estrada sem fim seria uma grande reta onde se pudesse correr até perder as forças. Às vezes é preciso perder as forças. Deitar no chão. Cansar. Na estrada sem fim eu cansaria. E mais, na estrada sem fim eu poderia dizer: estou cansada.
Quando eu não agüentasse nem mais o sol, poderia chover. Poderia chover muito. Mas sem raios nem trovões. A estrada sem fim não é assustadora. Choveria no meio do dia e eu gritaria até perder a voz. Depois das forças e da voz, perderia quase involuntariamente todas as lágrimas restantes, que se misturariam com a chuva. Após a chuva faria um silêncio sedativo, eu andaria devagar e aprenderia a assobiar sozinha. Em pouco tempo estaria cantarolando, dando piruetas, toda serelepe.
No fim da estrada sem fim haveria uma aldeia. Os moradores do fim da estrada sem fim me receberiam com música e festa. Tomaríamos café e comeríamos bolo quente todos juntos. Eles seriam felizes de verdade. Tão felizes que eu poderia deixar por lá todas as minhas mágoa e todas as lembranças, inclusive as mais doídas, porque eles não se importariam. Talvez eu conseguisse convencê-los ainda a ficar com os meus piores defeitos e todas as lágrimas. Em troca, poderia encontrar a outra metade dos meus sentimentos. Aquela metade cujo lugar foi tomado justamente por tudo aquilo que eu queria me desfazer.
"Você já deixou tudo isso pelo caminho", diria um dos moradores. Eu não concordaria: "Como já deixei? Não faz sentido! E a metade dos meus sentimentos? Por acaso acharei ela no caminho de volta?" Mas não ia conseguir dizer nada. Teria passado a aceitar o que me diziam. Não contestaria mais. E quando eu perdoasse um outro, compreenderia que realmente tudo ficara para trás, no caminho, no cansaço, na chuva, no grito, nas lágrimas, no chão. Por fim, eu enxergaria que a outra metade dos sentimentos sempre estivera ali. Antes estava apenas encoberta, mas nunca deixara de existir. E agora, poderia enfim ser vivida.

terça-feira, julho 31, 2007

Tédio

A melhor arma contra o tédio é tomar uma atitude neurótico-frenética. Balançar os pés como se não tivesse controle sobre eles. Comer os cantos das unhas. Estalar osso por osso. Contar as pedrinhas portuguesas do chão. Assassinar formigas indefesas com o calcanhar. Ver até onde o chiclete mastigado vai sem arrebentar.
Restou-me o básico no combate ao tédio: papel, caneta e um par de olhos. E assim continuei anotando qualquer coisa que me viesse à mente, qualquer pensamento estranho, rima, palavra inventada, idéia, nome, teoria. Olhando ao redor, eu analisava algum ponto, um detalhe da paisagem ou mesmo uma pessoa que me chamasse a atenção, e começava a descrever aquilo freneticamente. É uma sensação ótima, a de não saber nada sobre a pessoa ou a situação e tentar descrevê-las como parecem ser. Eu imaginava que os livros nasciam assim: o escritor sentava à beira de um lago, observava os pássaros e o céu e aquilo o levava a viajar por lugares maravilhosos que se tornariam cenários de grandes aventuras. Para mim, os melhores livros do mundo deviam ter começado em bancos de praças, filas, salas de espera, pontos de ônibus.
Mais do que possuir um talento imanente, os escritores eram simples mortais entediados que tomaram gosto por observar e analisar a natureza humana.Por isso eu passei a colocar na bolsa, sempre que lembrava, uma agenda, um caderno, um bloco ou um bando de papéis desorganizados. Peguei o hábito (mania? neurose? transtorno obsessivo-compulsivo?) de fazer anotações, a maioria sem sentido, boa parte pela metade, muitas perdidas, mas todas muito, muito divertidas. Pode ser que eu jamais escreva um livro. Mas de tédio eu não morro.

Registro

Passado é uma coisa que assombra. Na verdade assombra mais aos outros do que a nós mesmo. Por isso devia ficar guardado apenas na nossa memória. Sem registros, cartas, fotos, e muito menos memórias alheias – para não atrapalhar nem o presente nem o futuro. Pensando nisso, me poupo de registrar sentimentos ou pensamento agora e menos ainda suas razões. Só ficam duas coisas que me impressionam: a cara-de-pau e a facilidade de amar e desamar de alguns e a recompensa merecida que é dada à outros, mesmo que seja sem querer.

Não há porque se culpar...

domingo, janeiro 28, 2007

Curiosidades



Descobri que tucanos voam em pares
Que eu perco muito tempo pensando
Que minha mãe tem poderes sobrenaturais de entrar na minha consciência
Que a comodidade é mais prejudicial do que parece
Descobri que num casal, os indivíduos correm o risco de perder a sua própria identidade e isso é extremamente perigoso
Que teoria da comunicação até que é interessante
Que, se tem uma descoberta da física que se aplica diretamente à minha vida, essa é a inércia
Que eu tenho preguiça de tudo e vontade de tudo e que essas duas características não convivem muito bem
Descobri que fagote é um instrumento musical
Que UCI significa também União Ciclística Internacional
Que a capital da Romênia é Bucareste
Que (in)felizmente eu gosto de funk
Que o meu ser se alimenta de conversas
Descobri que o amigo pode virar namorado, o namorado pode virar amigo, que a melhor amiga pode, all of a sudden, se afastar enquanto uma nova toma seu lugar e o que resta pra nós é aceitar essa vulnerabilidade assustadora das relações
Descobri que eu ADORO falar difícil
Que tenho 5 amigos gays
Que a ictiologia é a ciência que estuda os peixes
Que eu não quero fazer jornalismo, publicidade nem cinema
Descobri que o trânsito de Botafogo é um inferno
Que o trânsito da Lagoa é um inferno
Que o trânsito do Centro é um inferno
E que o trânsito da Barra está virando o mesmo inferno
Descobri que, não importa o quanto você tente, algumas pessoas simplesmente não vão mudar nunca
Que é preciso dançar conforme a música e não pisar no pé de ninguém
Que os relacionamentos se desgastam com extrema facilidade
Que trabalhar é gratificante e viciante
E que, se tem outra descoberta da física que se aplica diretamente e diariamente à minha vida, essa é a lei de Murphy
Descobri que eu deveria ter feito psicologia
Que o meu maior desejo é ter uma imaginação fértil e inexaurível
Que eu estou constantemente insatisfeita
Descobri que eu vou ter que passar a minha vida inteira fazendo dieta
Que o Cazuza e o Amarante deveriam ter composto algumas músicas juntos
Que eu sou uma defensora neurótica da boa escrita
Que, às vezes, eu presto mais atenção no que as pessoas falam do que elas mesmas
Descobri que eu tenho medo das minhas escolhas
Que o mundo tem 64 pessoas
Que o mundo assassinou a minha timidez
E que o amor nunca acaba...



Será que eu nunca percebi isso?

Você tem exatamente 3 mil horas pra parar de me beijar



Ah...quisera eu ter o dom de descrever um cheiro!
Dos cinco sentidos que nos foram dados, nenhum mexe mais com as emoções do que o olfato. Queria aqui descrever os sentimentos não com palavras, mas com um perfume. Esse que me inebria e que é quase capaz de me convencer de que ele ainda está aqui. Como pode uma fragrância evocar tantas lembranças e sensações? Queria aqui poder falar da textura da pele, do toque suave, do gosto da boca, da temperatura do corpo, da beleza da face, da voz serena, da risada gostosa...talvez do amor!

Amigo homem é imprescindível

Ela
A faculdade está acabando com a minha cabeça, desconstruindo todos os meus pensamentos...

Ele
Ah, mas isso é bom. Para poder construir algo conscientemente, é necessário demolir tudo que foi construído pela sociedade subconscientemente (ando vendo muito Clube da Luta).

Ela
Mas dá uma sensação que você está pisando em nuvens (em um sentido nada-poético e nada-romântico) como se toda a sua base não fosse tão sólida."Tudo o que é sólido desmancha no ar", diria nosso amigo Marx.

Ele
Cara, eu casava com você nesse momento.
Passou...

Ela
Por que?!

Ele
Linda e com um cérebro?! Achei que vocês não existiam...(nossa, que comentário machista, fiquei com vergonha de mim mesmo, isso soou muito errado). "Com um cérebro" eu quis dizer que pensa parecido comigo, mas me expressei mal. Você me odeia agora?

Ela
Odeio. Mesmo assim eu entendi, mas raros são homens com um cérebro que funcione de acordo com a "normalidade".

Ele
Defina "normalidade".

Ela
Sem distúrbios, patologias e neuroses não-controladas. Porque doideiras e manias todos nós temos: é saudável!

Ele
Então os homens são assim e as mulheres são normais? Até concordo que homem é bicho burro, mas mulher é bicho muito mais complicado. Exatamente, talvez, por serem mais inteligentes, logo, mais complexas.

Ela
Não sei se as mulheres são de fato mais inteligentes, talvez somente amadureçam mais rápido. Mas que somos mais complexas isso somos. Temos fatores externos que interferem diretamente na nossa mente. Externos e internos. Por exemplo (banal) a TPM. Somos mais sensíveis, mais sentimentais e muitas vezes mais dramáticas, o que pode superdimensionar os acontecimentos.

Ele
Não ouse usar isso para a depreciação da minha pessoa, mas eu queria ser mulher.

Ela
Gay.