quarta-feira, maio 17, 2006

Brainstorm

Superlotação da mente. Felicidade aguda. Vontade de viver intensamente. 6 da manhã. Andar sob o sol. Ler. Ler. Ler. Tudo às mil maravilhas! Mas que preguiça de abrir a boca pra falar, de sentar pra escrever, de parar pra pensar. Tanta coisa acontece e tão pouco fica registrado. Que dor de algo ainda desconhecido estar se perdendo como conseqüência. Memória, sentimento, seja o que for. A estabilidade pela primeira vez é real e gostosa. Os pensamentos são como sempre confusos, mas dessa vez mais satisfeitos, menos contestadores e inconformados com a realidade. Claro que ainda há muito com o que se revoltar. E não é uma questão de vestir os óculos cor-de-rosa e fingir que nada de ruim acontece. Só que é mais fácil encarar as coisas quando o coração está tranqüilo e a mente educada. Educada a não distorcer tudo, a não elaborar problemas, porque, como diz uma frase de autor desconhecido, “você não precisa inventar problemas, os reais vão aparecer logo”. Ok, talvez não seja BEM essa a frase, mas é por aí.

Se eu fosse dar alguns conselhos para mim mesma, diria para eu não procurar sarna pra me coçar, não me preocupar tanto com o futuro, para eu parar de achar que tudo funciona segundo a lei de “ação e reação”, para eu curtir mais, rezar mais, ler mais, estudar mais, escrever mais, fazer mais esportes, pegar mais sol, me arrumar mais, conversar mais, me abrir MUITO mais e parar de viver problemas que não são meus. Me culpar menos, dormir menos, perder menos tempo fazendo coisas que não me acrescentam nada e, quando preciso for, saber dizer não às pessoas – senão elas abusam. Se eu fosse dar alguns conselhos para os outros, diria para pararem de uma vez por todas de exagerar, de generalizar, de fazer tempestade em copo d’água, de sofrer tanto por tão pouco, para passarem a perdoar e, principalmente, a se perdoar, se permitir errar, afinal, ninguém é perfeito e nenhum erro é tão grande assim que não possa ser superado.

Mas eu entendo que não dê para seguir todos esses conselhos, até porque eu não me ouço e, na verdade, os outro também não me ouvem tanto. Fora isso, tem horas em que dá mesmo aquele mal-estar, aquela vontade de dramatizar, de questionar tudo e de se sentir um estranho no ninho, no mundo, na sua própria pele. É como Lulu diz, "sei lá...tem dias que a gente olha pra si e pergunta se é mesmo isso aí que a gente achou que ia ser quando a gente crescer". Talvez a resposta seja uma decepção consigo mesmo, mas talvez seja algo que fugia de nossos planos e que de alguma forma nos tornou melhores. Nem sempre o que queremos e julgamos ser o melhor é de o que nos vai trazer felicidade. Essa é uma verdade conhecida por todos, mas que precisa ser lembrada e internalizada. É impressionante como o melhor conselho para a maioria das nossas crises acaba sendo esse tipo de preceito.

O porquê dessa tempestade de idéias, palavras e sensações? É a falta de algo que talvez eu nunca tive. Quando a gente sente falta de algo que não sabe o que é, sai falando sobre tudo, quem sabe isso facilite a busca. Talvez seja só a privação de algo que eu sempre pude usufruir. Talvez falte persistência. Talvez falte essa visão de mundo que aos poucos está se aprimorando. Talvez falte um tipo de liberdade que me é necessário para ser feliz. Porque não preciso de todos os tipos, mas alguns são quase vitais, como a liberdade de expressão – no seu sentido mais amplo. E há várias formas sutis de reprimi-la. Essas formas são as mais perigosas nos colocando em uma situação embaraçosa ao termos que reivindicar nossos direitos com igual sutileza. Na marra é mais fácil. Perigosas também porque nos deixam com um nó na garganta e nos fazem até duvidar se não somos nós mesmo que não estamos nos permitindo falar tudo o que queríamos (algumas pessoas tem o poder de fazer isso aos outros, até mesmo sem saber). Talvez falte iniciativa. Não falta segurança nem confiança. Juro que não falta amor. Talvez falte vontade ou força de. Falta levar mais a sério e com mais leveza. Falta fé.

Subjetivo demais - era o que eu precisava.

Um comentário:

Mensageiro disse...

wow!
esse post tah com cara d desabafo!
cara, tem horas q a gente precisa msm eh parar d pensar...
falo isso por experiencia propria, eu penso demais...e como penso...mas jah estou me discuplinando a pensar menos, ou a acreditar q estou pensando menos...
enfim, qd precisar d alguem p "qq coisa" literalmente, me liga...vamos dar um role no shopping, pegar uma chuva, cantar sem saber a letra...rir
bjs