terça-feira, julho 18, 2006

Tudo de bom acontece em Elizabethtown


Adoro filmezinhos água–com-açúcar. Confesso. Eu me delicio com aqueles bem bobos, metidos a comédia, com um final feliz e romântico, que são dignos de, no máximo, uma Sessão da Tarde. Como perder um homem em 10 dias, 10 coisas que eu odeio em você, O diário de Brigitte Jones, Uma linda mulher - desse sei até uns diálogos. E paremos por aqui porque a lista é extensa. Adoro filmes-cabeça e afins, mas de tempos em tempos (o intervalo entre os "tempos" é bem curto pra ser sincera) preciso de um chocolate audiovisual para aumentar a glicose do meu cérebro. Nada como ver um filmeco desses para relaxar: você não pensa, só sente e ri.

Mas Tudo acontece em Elizabethtown, de Cameron Crowe (o mesmo diretor de Quase Famosos e Vanilla Sky) é tão envolvente que não merece entrar nessa categoria. Ele não se atém aos encontros e desencontros amorosos, nem aos dramas familiares e muito menos ao humor morno de uma comédia romântica. Ele escapa à rotulação e ao padrão. Todas as cenas parecem estar mergulhadas na extensa trilha sonora, fluindo com muita naturalidade. Não há nada que pese nem que choque, não há nenhuma situação vivida pelos personagens, por mais negativa que seja, que estrague a aura cor-de-rosa do filme. E o diferencial é que esse clima, nada enjoativo, não é fruto do caso amoroso de Drew (o lindo Orlando Bloom) e Claire (a fofa Kirsten Dunst), mas de todas as relações afetivas em geral.

Chega a ser curioso, mas nenhum dos personagens faz o papel de “vilão”, todos são muito carismáticos. Orlando Bloom, como protagonista, finalmente vive um homem normal (bem diferente dos que fez em Piratas do Caribe e Senhor dos Anéis) e não decepciona nada. Crowe escreveu o roteiro do filme tendo Bloom em mente para o papel no qual o ator se encaixou perfeitamente. A experiente e maravilhosa Susan Sarandon, que vive Hollie, Mãe de Drew, dá um show à parte no enterro do marido, no qual ela dança ao som de “Moon River”. A loirinha Kirsten Dunst, ex do Homem-aranha, encanta com seu jeito doce e descontraído. Ela é a responsável por surpresas e ótimas tiradas.

Poucos filmes mexem com as emoções assim tão sutilmente...Tudo acontece em Elizabethtown é bom para ser visto e melhor ainda para ser escutado. É para anotar as falas, guardar sua trilha sonora para sempre, dar algumas risadas, deixar rolar as lágrimas, suspirar, sem culpa, nas cenas românticas e roubar o suave sorriso que Bloom mantém o filme todo. Tudo isso para tentar prolongar o clima gostoso e o efeito anestesiante. Em uma palavra: leve.

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