segunda-feira, junho 13, 2005

Pro dia nascer feliz

Está tarde. Difícil de escrever. Impossível de dormir. Estou pensando em tantas coisas ao mesmo tempo, que mal consigo identificá-las. Me sinto a pior das escritoras (como se eu fosse uma!) e a mais feliz das pessoas. Tem horas que palavras não bastam. Vou além...elas faltam.

Agora eu podia estar cega, gorda, surda, com uma verruga na ponta do nariz que ia estar sentindo a mesma coisa. Cara...que bom que eu tenho coração! Nunca pensei nisso. Ter coração é tudo! Não só pela função vital, mas por possibilitar toda essa emoção, por disparar, por sentir. Estou sentindo demais...só não sei exatamente o que, mas estou. (lágrimas correm...correm...e correm....). Estou num estado no qual poucas vezes na vida estive. Fico ouvindo a mesma música – The blower’s daughter, Damien Rice, claro! - 599 vezes seguidas, estática, viajando num imenso nada, pisando em nuvens, sem fome, sem sede, com frio, estática.....já mencionei que eu estou estática?! Já, Tati, presta atenção. São 4:57 da manhã e eu aqui que nem um zumbi em frente ao Seu Duca sem escrever nada de muito produtivo. Me afogando em sensações quase desconhecidas. Esperando os primeiros raios solares atravessarem a cortina, pelo simples prazer de ver esse dia nascer.

A causa disso tudo? Hoje, em meio a um período de bonança, bateu uma emoção verdadeira ao lembrar quantas mudanças tem ocorrido nessa onda de “benção sobre benção”. De uns tempos pra cá ganhei “fãs” aleatórios, encantados pela minha desenvoltura verbal, corporal e intelectual. Distraída, eu passei de uma menininha tímida a uma aspirante à “publicitária muito promissora”. Comecei a escrever, e mais, gostar do que eu escrevo. Gostei mais ainda de ler. Ganhei um pouquinho de inteligência emocional. Adquiri um bom nível de conhecimento musical. Fiquei mais amiga. Estive mais presente. Fui mais paciente. Pra completar, comecei a namorar nos primeiros minutos do dia dos namorados e de um jeito que eu sempre sonhei. Mas bateu também uma dorzinha de imaginar que as coisas vão mudar, e talvez muito, daqui a uns meros 60 dias. Minha vida é feita de fases - em grande medida involuntárias - de convivência com grupos de pessoas efêmeros. (Talvez a vida de muita gente seja assim, mas esse é um traço permanente na minha.) O fato é que algumas mudanças implicam em separações. Eis a minha fraqueza. Eu me apaixono facilmente e simplesmente não desapaixono. Esse verbo nem existe no meu vocabulário (se é que ele existe em algum). Porque eu me apego muito e me desapego pouco. Para alguns pode ser difícil esse afastamento nos primeiros dias, mas para mim é difícil “ad eternum”. Por mais que não nos falemos, não esqueço da amiga do colégio, da turma de vôlei, da amiga de Minas, da que mudou pra Londres, da que aparentemente se esqueceu de mim, do primeiro namorado, das crianças da Bahia, e de tantas outras pessoas...Todos são importantes. O passado, para mim, não passa. Ele fica guardado num universo paralelo aqui dentro, com um carinho muito grande por esses que, às vezes sem saber, transformaram minha vida nas pequenas coisas e me construíram como sou (seja isso bom ou ruim). É piegas, mas é verdade. Qualquer forma de amor é piegas.

São 5:42 e eu falando que qualquer forma de amor é piegas. Isso dava uma música. Sério mesmo. Ah....se eu tivesse o dom do Cazuza em transformar tão bem sentimentos e pensamentos em belas letras musicais teríamos uma nova canção à essa hora. Talvez assim tenham surgidos clássicos como “Eu preciso dizer que eu te amo”...


“Quando agente conversa
Contando casos, besteiras
Tanta coisa em comum
Deixando escapar segredos
Eu não sei em que hora dizer
Me dá um medo
Eu preciso dizer que te amo
Te ganhar ou perder sem engano”


Talvez.
6:34
Amanheceu enfim!
Continuo estática.
Depois eu publico isso...Bom-dia!

Um comentário:

Anônimo disse...

Que bom que foi do jeito que você sonhou fico feliz em saber disso...continue assim está muito bom seus textos e não falo isso da boca pra fora nem é papo de namorado acredite..beijos