sábado, junho 11, 2005

Desabafo (ufa!)

Às vezes mal acredito que vivo nesse mundo. Esse que se alimenta da conveniência e mata a sede em rios de dinheiro. É, esse mesmo, que respira futilidade e sonha com paraísos fiscais. Mundinho medíocre. E pessoas não muito diferentes. Preguiçosas, egoístas, alienadas. Pessoas cujos valores são superficiais. A aparência vale o desejo, o dinheiro vale o poder e o sentimento e o caráter ficam pra depois...

Os ricos vivem de lavagem de dinheiro, golpes, corrupção, acordos e mais acordos e se mantém impunes. Mas se o Zé roubar um pacote de biscoito no supermercado, está preso sem nem pestanejar! Dá pra acreditar num mundo que funciona assim? Injusto demais, desigual demais.

Isso sem falar nas atrocidades. Homicídios, assaltos, seqüestros e estupros compõem o grupo de pequeno porte. É, pequeno porte. Porque grande mesmo são os genocídios, chacinas e atentados. A violência já é uma constante, mas mesmo assim não consigo digeri-la. Como alguém pode puxar um gatilho e matar outra pessoa? Eu não entendo.

Aliás, há muito nesse mundo que não entendo. É inexplicável a capacidade do ser humano de ser indiferente. Indiferente à necessidade alheia, ao amor alheio, à tudo que lhe for alheio. Essa gente está preocupada mesmo em esbanjar sua grana e seguir a moda. Eis outra coisa que não me entra na cabeça, essa tal de moda. A cada estação homens e mulheres renovam seus guarda-roupas, com novas cores, tecidos, modelos. Pra que mesmo? Mudar? Mas convenhamos que a moda de vez em quando é de péssimo gosto. Quanto à atual mesmo, acho que minha avó se vestia melhor. Mas mesmo que não goste da mudança a gente tem que segui-la? Quer dizer que eu tenho que comprar uma bota horrorosa de camurça rosa-choque com bolinhas verde-água até o joelho porque tá na moda? É isso mesmo? Dai-me paciência...

E olha que paciência é algo em extinção nesse mundo. As pessoas correm o tempo todo, para todos os lugares, fazem tudo ao mesmo tempo. Os seres humanos funcionam na velocidade dos computadores, da internet, dos celulares, da televisão. E pior, estão aplicando o ritmo da tecnologia para seus relacionamentos. Namoros e casamentos são feitos e desfeitos enquanto você vira as páginas da “Tititi”. Na verdade os dias estão mesmo mais curtos (cientificamente comprovado) e conseqüentemente os anos estão passando mais rápido. Talvez isso justifique um pouco a pressa. Mas a falta de paciência não deriva somente da falta de tempo. Quantas vezes a secretária do médico te atendeu muito mal e porcamente, como se estivesse atrasada para algum compromisso importante e não saiu da cadeira? É má vontade mesmo...tem gente ruim, tem gente mal-humorada, gente estressada então é o que mais tem. Todo mundo se julga estressado hoje em dia. É a “doença” da moda (olha ela aí de novo!). Até cachorro sofre de estresse agora! Um mundo onde animal tem esse tipo de problema não pode ser levado à sério.

Ninguém pode ser levado à sério mais. As pessoas fazem juramentos que em pouco tempo são invalidados por simples mudanças de opinião. Todos são inconstantes e insatisfeitos. A vida nunca está boa. São reclamações infinitas e muitas vezes infundadas. O chefe aumentou o salário, mas bem que podia ter sido mais. Eu tenho olhos azuis, mas queria mesmo é que o meu cabelo fosse liso. O Ubaldo me deu flores hoje, mas custava muito dar um cartão junto?! Quando se acrescenta ingratidão então, tudo fica mais difícil.

Mas o difícil mesmo é viver num mundo perigoso onde tudo soa falso, conviver com pessoas tão incrédulas e se manter ileso. Ah, se não fosse o amor para adoçar essa mistura...

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