terça-feira, julho 19, 2005
Ando meio desligada...
Ando meio perplexa. Ando feliz, é verdade. Bem feliz até. Ando muito sensível a determinadas coisas e totalmente indiferente a outras, como se algo tivesse morrido dentro de mim. Não sei quando foi que tudo começou e menos ainda quando o encanto se quebrou. Ando assim: tão distraída que mal percebo as mudanças pelas quais passo. Só vejo que há alguma diferença quando já estou levando outra vida. É importante que saibam: tenho várias vidas determinadas por fatos marcantes. Como se fossem pequenos ciclos ao fim dos quais eu me recolho e renovo para o próximo. Funciona pra distrair a minha insaciável necessidade de mudança, de conhecer tudo e todos, assumir diversas personalidades e viver tantas experiências quantas forem possíveis. Ando desconfiada que um novo ciclo está começando. Está vindo uma vida novinha em folha por aí. Ando receosa. No inicio é sempre assim. Depois piora: o receio é promovido à certeza. Ando estranhamente obediente e satisfeita. Faço tudo com boa vontade, qualquer prazer me diverte...Eu ando tão fácil. Tão simples. Logo eu que antes cultivava o orgulho de ser complexa, agora me rendo à curtas definições. Eu ando em metamorfose. Daqui a pouco bato as asinhas. As eternas questões que me acompanhavam e a angústia que me tomava tantas vezes deixaram-me ao léu. Não existem mais pontos de interrogação ao final dos meus pensamentos e sentimentos. Isso me assusta. Sim, eu sei que sou muito assustada (ou seria precavida?!). É uma estranha paz que me toma. São muitas certezas me cercando e uma sensação estranhíssima de dever cumprido, encadernado e com nota 10. A prova de que eu acertei nas minhas atitudes é tão evidente que eu temo encarar. No máximo dou uma olhada de rabo de olho. Tudo é tão bom e tão real que parece mais uma das minhas idealizações. Tô feliz pra cacete. Ando muito altista. Fico vagando pelo nada. As letras do livro se embaralham e eu me deixo levar por músicas, cheiros, imagens, lembranças. Ando leve. Preciso de pesos amarrados aos pés para me manter presa nesse mundo, porque estou vivendo em outro que apesar de melhor me deixa mais vulnerável. E eu tenho medo de me expor. Tento me convencer que estou vacinada e mais forte, mas no fundo sei que não estou. Aliás, acho que se tratando de amor nunca estarei suficientemente anestesiada a ponto de realmente não sentir nada. Que bom. Pois não há nada melhor do que sentir. Sentir amor, sentir prazer, sentir dor. “É um sinal que estamos vivos”, disse o outro. Se eu depender do verbo sentir para viver...Vida longa à mim! Ando sentindo muito.
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