sexta-feira, julho 01, 2005

Sessão nostalgia

Mais uma vez alguém transcreveu pensamentos e sentimentos meus que tentei entender durante meses. Ana Carolina fez uma música chamada “É mágoa”, e eu acho que ela andou me observando nos últimos tempos pra compô-la. Me seguiu, leu minha agenda, procurou meus rascunhos de cartas nunca entregues, vasculhou meu Word (e olha que isso ninguém faz, meu Word é sagrado), escutou o eco das minhas orações, prestou muita atenção nas minhas palavras e o principal....roubou meu caderno preto e branco! Essa mulher me conhece. Até as metáforas dela são perfeitas! Ela deve ter pensado: “Coitada dessa menina...está sofrendo e nem sabe distinguir os sentimentos. Vou ajudá-la.” Claro que é mágoa. Não é saudade, não é amor, não é ódio, não é tristeza, não é nada senão mágoa. Mágoa de quem está magoado. Faz todo sentido agora. Agora que já passou. Agora que nem sei se adianta saber denominar aquela tempestade. Agora que esse drama já virou piada pro meu coração. Se uma gargalhada sai mais forte às vezes machuca. Mas só de leve. Isso pode não ser muito compreensível pra quem nunca esteve na minha mente e decifrou as intenções dos meus atos. Sei que não é hora de falar de nostalgia. Juro que tenho vários textos arquitetados na cabeça. Várias idéias perdidas ou encontradas, e nunca escritas. Não é crise de inspiração. É um misto de preguiça com preguiça. Tenho essa mania de querer fazer direito, não gosto de sentar e escrever qualquer coisa. Só que me aparecem esses sentimentos sem educação que nem procuram saber se eu os quero por perto, simplesmente me invadem sem pedir licença e vão embora sem dar satisfação. Então eu me rendo e não consigo não registrá-los.

Vamos à musica...



“É mágoa
Já vou dizendo de antemão
Se eu encontrar com você
Tô com três pedras na mão
Eu só queria distância da nossa distância
Saí por aí procurando uma contra mão
Acabei chegando na sua rua
Na dúvida qual era a sua janela
Lembrei que era pra cada um ficar na sua
Mas é que até a minha solidão tava na dele

Atirei uma pedra na sua janela
E logo correndo me arrependi
Foi o medo de te acertar
Mas era pra te acertar e disso eu quase me esqueci
Atirei outra pedra na sua janela
Uma que não fez o menor ruído
Não quebrou, não rachou, não deu em nada
E eu pensei “talvez você tenha me esquecido”
Eu só não consegui
Foi te acertar o coração
Porque eu já era o alvo de tanto que eu tinha sofrido
Aí nem precisava mais de pedra
Minha raiva quase transpassa a espessura do seu vidro
É magoa”


Brigadão, Ana!

Um comentário:

Mensageiro disse...

Relaxa...eu sei que é muito difícil e que também é horrivel escutar isso, mas mágoa não leva a nada. É um fantasma que nos assombra e toca na ferida, não deixando-a cicatrizar.
Extermina esses fantasmas!!

Conta cmg...sempre gostei dos caça-fantasmas!